Cercada e pressionada por extensas áreas de florestas plantadas (eucalipto), em pleno Vale da Celulose, em Mato Grosso do Sul, a Fazenda Ponche Verde, em Ribas do Rio Pardo (MS), vem atraindo gente, de curiosa à estudiosa, pra ver de perto como se trabalha com 1.000 ua’s (unidades animal – cada ua equivalente a 450 kg de peso vivo) por hectare (ha) em uma bovinocultura de corte a pasto. Essa é a lotação instantânea (relação do número de ua’s com a área de pastagem ocupada em um determinado momento) mínima adotada pelo pecuarista Rogério Zart na prática do pastejo ultradenso, manejo regenerativo que visa aumentar a eficiência da colheita do capim, ajustando alta carga de animais em espaço físico bem reduzido durante o menor tempo possível. O sistema compreende que o próprio rebanho atua como ferramenta de recuperação de solo e de pastagem.
No seu modelo, a boiada de 500 machos (recria), com peso médio individual de 300 kg, ocupava no mês de março, ao longo de um dia, seis piquetinhos de 75 x 40 metros (3.000 m2) cada um. Portanto, eram realizadas cinco trocas diárias, com intervalos entre 2,5 e 3 horas ao longo do período diurno. Isso significa que seu rebanho estava ocupando, diariamente, uma área de 1,5 hectares (15.000 m²) em um solo com características mais arenosas (entre 14% a 24% de argila em sua composição).
“A média de faturamento na pecuária de corte brasileira considerada rentável dificilmente chega à casa de R$ 400/ha/ano. Fechei recentemente em 1.800/ha/ano, uma lucratividade semelhante a uma boa lavoura, porém com muito mais segurança diante da completa instabilidade climática que vivemos”, – Rogério Zart, pecuarista
A densidade impressiona e a transição entre os piquetes formam verdadeiros balés visuais, sobretudo para quem acompanha do alto. Mais do que dinâmico, revigorante e bonito, o modelo, segundo Zart, é rentável: “A média de faturamento na pecuária de corte brasileira considerada rentável dificilmente chega à casa de R$ 400/ha/ano. Fechei recentemente em 1.800/ha/ano, uma lucratividade semelhante a uma boa lavoura, porém com muito mais segurança diante da completa instabilidade climática que vivemos”, observa.
Naturalmente, para tanto desempenho não poderia faltar uma suplementação, hoje à base de blocos, milho quebrado e sorgo e já vislumbrando uma silagem de grão úmido estocada em silos bag: “Começo oferecendo 0,1% do peso vivo (pv), subo para 0,3% e, nas terminações, chego na casa de 1%.

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