Mesa de Mercado · CEPEA
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Suíno Carc.R$ 8,60
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Cruzamento industrial ganha espaço como estratégia para ampliar competitividade da pecuária de corte brasileira

O mercado global passa por um momento de transformação.

A combinação de um cenário internacional favorável e o avanço da genética bovina coloca o cruzamento industrial entre as principais estratégias para aumentar a competitividade da pecuária de corte brasileira. A avaliação é da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), que destaca o potencial da técnica para atender à crescente demanda por carne de maior qualidade nos mercados nacional e internacional.

De acordo com a entidade, o mercado global passa por um momento de transformação. Os Estados Unidos, tradicionalmente um dos maiores produtores de carne bovina do mundo, registram redução gradual do rebanho de corte, que em 2025 alcançou o menor nível desde 1951. Ao mesmo tempo, o Brasil amplia sua participação nas exportações, conquista novos mercados e atravessa um ciclo favorável para a produção pecuária.

Segundo Guilherme Gallerani, diretor de Marketing da Asbia, esse contexto cria uma oportunidade para que os pecuaristas brasileiros invistam em tecnologias capazes de agregar valor à produção.

“O mercado demanda cada vez mais carne com características específicas de qualidade, e os países importadores estão dispostos a remunerar melhor produtos que atendam a esses padrões”, afirma.

Nesse cenário, o cruzamento industrial tem se consolidado como uma ferramenta estratégica. A técnica consiste, principalmente, no acasalamento de matrizes zebuínas, como o Nelore — base do rebanho nacional —, com sêmen de touros taurinos, especialmente da raça Angus. O objetivo é explorar o vigor híbrido, obtendo animais mais precoces, produtivos e com melhor qualidade de carcaça.

Entre os principais benefícios estão maior padronização dos lotes, melhor acabamento de gordura e maior marmoreio da carne, características valorizadas por programas de carne premium e por mercados internacionais mais exigentes, incluindo países do Sudeste Asiático, que ampliaram recentemente a importação de carne bovina brasileira.

Guilherme Gallerani, diretor de Marketing da Asbia: “Há oportunidades para que os pecuaristas brasileiros invistam em tecnologias capazes de agregar valor à produção”.

A inseminação artificial desempenha papel central nesse processo, segundo a Asbia. A tecnologia permite ampliar o acesso à genética de reprodutores superiores em diferentes regiões do país, acelera o melhoramento genético do rebanho e reduz limitações operacionais relacionadas ao uso de touros taurinos a campo.

A entidade observa que o interesse dos produtores pela estratégia já se reflete no mercado de genética. Conforme dados da Asbia, a comercialização de sêmen de raças taurinas registrou crescimento de aproximadamente 60% neste ano, impulsionada pela recuperação do ciclo pecuário, valorização dos animais de reposição e perspectivas positivas para o mercado da carne bovina.

Apesar do avanço, a associação ressalta que o sucesso do cruzamento industrial depende de planejamento, manejo adequado, nutrição equilibrada e sanidade eficiente para que os animais expressem plenamente seu potencial produtivo.

Para a Asbia, o momento reforça a importância dos investimentos em genética como ferramenta para elevar a eficiência e a rentabilidade da atividade. A entidade avalia que, diante das mudanças no mercado global, produzir animais com maior qualidade será um diferencial cada vez mais importante para consolidar a posição do Brasil entre os principais fornecedores mundiais de carne bovina.

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