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Cooperativas gaúchas anunciam investimento bilionário com a criação da Soli3

Projeto de intercooperação entre Cotrijal, Cotripal e Cotrisal prevê nova indústria de biodiesel em Cruz Alta e busca agregar valor à produção dos associados

Camila Santos, de Campinas (SP)

Caroline Mendes, da Redação

Durante o painel Intercooperação e Alianças Estratégicas: novos modelos de negócios e valor para o cooperado, realizado nesta quinta-feira (4) no CCAGRO 2025, os líderes das cooperativas Cotrijal e Cotripal apresentaram um dos mais ambiciosos projetos de intercooperação do agronegócio gaúcho: a criação da Soli3, uma nova empresa formada pela união estratégica de três cooperativas — Cotrijal, Cotripal e Cotrisal — com foco em agregar valor à produção dos mais de 35 mil cooperados.

O presidente da Cotrijal, Nei Manica, e o vice-presidente da cooperativa, Tiago Sartori, participaram do painel mediado por Luciane de Medeiros, destacando os pilares de confiança, sinergia e propósito que sustentam a iniciativa. “A Soli3 não é apenas uma nova indústria. É um movimento de transformação do cooperativismo gaúcho, com base em muito estudo, planejamento e, principalmente, união entre as cooperativas”, afirmou Sartori.

Durante a apresentação, os dirigentes ressaltaram o esforço para romper paradigmas, incluindo a decisão de alternar a presidência da Soli3 entre os líderes das cooperativas fundadoras, definida por sorteio, como símbolo de igualdade e cooperação

O primeiro grande projeto da Soli3 será a construção de uma fábrica de processamento de soja e produção de biodiesel no município de Cruz Alta (RS), com investimento estimado em R$ 1,25 bilhão. A planta terá capacidade para esmagar 50 mil sacas por dia, podendo dobrar esse volume futuramente. A previsão é de que a obra gere mil empregos temporários durante a construção e 150 empregos diretos na operação, além de 500 indiretos.

A escolha estratégica da localização contou com estudos técnicos e de logística, considerando o entroncamento ferroviário e a área de atuação das cooperativas. O terreno de 138 hectares já foi adquirido, e a previsão é que as obras iniciem até o fim de 2025, com conclusão em 24 meses.

Além de farelo e óleo de soja, o complexo industrial produzirá biodiesel, casca de soja e glicerina. O projeto conta com o apoio do governo estadual, que já demonstrou interesse em viabilizar incentivos tributários e linhas de financiamento específicas por meio de fundos como o Fundopem e o Programa Integrar-RS.

Durante a apresentação, os dirigentes ressaltaram o esforço para romper paradigmas, incluindo a decisão de alternar a presidência da Soli3 entre os líderes das cooperativas fundadoras, definida por sorteio, como símbolo de igualdade e cooperação. “Nossa maior riqueza é a confiança entre as pessoas. Este projeto nasce do olho no olho, da vontade de fazer diferente”, pontuou Manica.

A iniciativa ainda prevê sinergias adicionais, como a possível unificação de redes de varejo agropecuário sob uma identidade comum, fortalecendo a presença de mercado e a imagem do cooperativismo.

Por fim, os painelistas destacaram a importância da gestão eficiente e da responsabilidade financeira no campo. “O produtor também precisa se reinventar e fazer a lição de casa. As cooperativas podem — e devem — ajudar nesse processo”, reforçou Manica.

A Soli3 nasce como exemplo de um novo tempo para o cooperativismo gaúcho, demonstrando que, mesmo em momentos de crise, a união estratégica pode abrir caminhos sustentáveis para o crescimento e valorização dos produtores.

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