O segundo dia do Congresso Conecta Agro (CCAgro), realizado nesta quinta-feira (3), reuniu nomes de peso do setor produtivo, da política, da comunicação e da diplomacia econômica para discutir os rumos do agro brasileiro em meio às transformações do cenário mundial.
Na abertura, o presidente da Faesp, Tirso Meirelles, foi direto ao apontar contradições no novo Plano Safra: “Foi lançado o Plano Safra, teve recorde novamente, 1,5% a mais do ano passado. Mas lembra que o ano passado ficou 23% retido o valor? No ano passado, aquele valor de equalização também desapareceu. O seguro, que era R$1 bilhão, caiu para R$700 milhões. Então, quer dizer, diminuiu e criou burocracia”. Meireles alertou que as taxas de juros reais podem ultrapassar os 18% ou até 22%, considerando os custos cartoriais e bancários. “O que eu peço ao produtor é que faça o plano de negócio. Se você for tirar dinheiro com esse valor de taxa de juros, você não vai conseguir pagar esse financiamento”.
Um dos grandes momentos do dia foi a participação de Augusto Cury, psiquiatra mais lido do mundo, que falou sobre saúde mental. A participação dele no CCAgro marca o lançamento da Mentoria Líderes Extraordinários”, que trabalhará o equilíbrio entre emoção, gestão e posicionamento com executivos do agronegócio.

A mentoria é realizada em parceria com a palestrante e conselheira de empresas agro Luciana Martins e o consultor e empreendedor Fábio Ruiz. “O mundo já entendeu a força do agro brasileiro, mas ainda falta o Brasil formar líderes que saibam se posicionar à altura dessa potência. Esse programa é um movimento de conexão continental e de legado internacional”. Já Augusto Cury alerta para os impactos do desgaste mental nas lideranças do agro: “Quem não é autor da sua própria história será prisioneiro das dores que não superou”.
No painel de Tecnologia e Inovação, o diretor de marketing da Ford América do Sul, Marcel Bueno, destacou a importância da conectividade veicular para o campo. “A Ford tem um histórico muito grande de presença no agro e proximidade com o mundo agro, com os produtores rurais. É muito importante para a gente ter essa oportunidade de falar sobre tecnologia, sobre a visão da Ford, sobre como a gente pode encontrar soluções e oferecer soluções conectadas para o nosso consumidor”.
Já Alfredo Miguel Neto, diretor de Assuntos Corporativos da John Deere para a América Latina, destacou que o país tem um potencial gigantesco para atender a demanda global por alimentos, fibras e energia. Ele defendeu a conectividade no campo como pré-condição para que as propriedades adotem as tecnologias disponíveis,“desde a semente até as máquinas agrícolas. “Nós discutimos um modelo futuro do Brasil em que nós teremos, por exemplo, juros negativos no plano safra, em que 100% do agro estaria conectado às áreas rurais”. Ele também projetou um cenário no qual o agro pode sair dos atuais 23% e chegar a 35% de participação no PIB brasileiro.
No painel político e econômico, o comentarista Caio Coppolla apontou que “as eleições de 2026 serão de direita” e foi enfático ao analisar os próximos anos “estamos condenados ao sucesso”. Já em outro momento, Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, trouxe uma análise pontual do cenário geopolítico e a necessidade de o Brasil assumir um papel mais ativo no comércio internacional. Ele disse que o Brasil ainda não ocupa o espaço que deveria: “Por que o Brasil não está se destacando nos seus produtos principais? Nós temos que promover no mundo grandes produtos”.
O Congresso Conecta Agro segue até esta sexta-feira (4) no Expo Dom Pedro em Campinas.
Fonte:CCAgro, adaptado pela equipe FeedFood.
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