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Mulheres no agro ganham protagonismo e pedem visibilidade, afirma presidente da Comissão Semeadoras da FAESP no CCAGRO 2025

Durante evento, Juliana Farah defendeu igualdade de gênero no campo, destacou conquistas e desafios das produtoras e convocou o setor a romper com a invisibilidade feminina na gestão rural

Camila Santos, de Campinas (SP)

Caroline Mendes, da redação

A força das mulheres no agronegócio brasileiro foi tema central da palestra de Juliana Farah, presidente daComissão Semeadoras do Agro da FAESP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), durante o Congresso das Comissões do Agronegócio (CCAGRO) 2025. Com um discurso pautado pela valorização da mulher rural, Farah ressaltou avanços, denunciou a persistente invisibilidade de produtoras e gestoras no campo e convocou o setor a fortalecer a equidade de gênero no agro.

Produtora rural e sucessora da propriedade da família, Juliana compartilhou sua experiência pessoal e lembrou que, apesar do crescente protagonismo feminino no setor, as mulheres ainda enfrentam desafios culturais, institucionais e de reconhecimento. “As mulheres sempre estiveram presentes na rotina das propriedades, mas de forma invisível. Eventos como esse nos dão voz, trazem visibilidade e fortalecem o papel da mulher no campo”, afirmou.

Ela destacou que o agronegócio é responsável por mais de 23% do PIB brasileiro e por cerca de 49% das exportações nacionais em 2024, sendo a pecuária um dos grandes motores do setor, respondendo por 30% do PIB agropecuário. Ainda assim, das mais de 5 milhões de propriedades rurais brasileiras, apenas cerca de 450 mil são comandadas por mulheres — o que representa apenas 9,7% do território rural.

“As mulheres sempre estiveram presentes na rotina das propriedades, mas de forma invisível. Eventos como esse nos dão voz, trazem visibilidade e fortalecem o papel da mulher no campo”Juliana Farah, presidente daComissão Semeadoras do Agro da FAESP

Segundo dados apresentados pela presidente da comissão, há no país quase 1 milhão de mulheres proprietárias de imóveis rurais e mais de 820 mil em co-gestão das propriedades, totalizando cerca de 1,7 milhão de mulheres na liderança ou co-liderança de empreendimentos rurais. “Precisamos falar sobre isso fora da porteira. Ainda é muito comum o CPF do homem ser o único considerado, o que mascara a verdadeira presença feminina no campo”, pontuou.

A atuação das mulheres na pecuária é expressiva principalmente na produção de leite e ovos, concentrando-se sobretudo no Rio Grande do Sul. Juliana enfatizou que o Sudeste ainda precisa avançar no protagonismo feminino. Ela também abordou os desafios da sucessão familiar, da dupla jornada e da ausência de voz em ambientes tradicionalmente masculinos. “A mulher do campo é ligada no 360. Gerencia a propriedade, cuida da casa, da família, participa de eventos, busca capacitação. Mas a cobrança é sempre maior sobre ela”, refletiu.

Criada em 2022 pela FAESP, a Comissão Semeadoras do Agro já realizou mais de 219 eventos e alcançou mais de 60 mil mulheres em sindicatos rurais paulistas. As ações incluem capacitações em empreendedorismo, gestão rural, saúde mental, autoestima, patriotismo e networking. “Lugar de mulher é onde ela quiser, mas ela precisa se capacitar. E as mulheres se capacitam mais que os homens”, destacou Juliana.

Ela também anunciou a terceira edição do Encontro Estadual das Mulheres do Agro, que será realizada em 29 de agosto em Ribeirão Preto, com expectativa de reunir 3 mil mulheres. Nas duas edições anteriores, o evento bateu recordes de faturamento em empreendedorismo feminino no estado, segundo o Sebrae-SP.

Juliana Farah encerrou sua participação reiterando a importância do apoio masculino e da união para romper barreiras históricas. “Não estamos aqui para competir com os homens, mas para caminhar lado a lado. Precisamos de respeito, escuta e espaço. Só assim vamos deixar de falar sobre desigualdade de gênero e começar a viver a igualdade na prática”, concluiu.

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