Camila Santos, de Gramado (RS)
Um dos pontos altos do segundo dia da programação da 5ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul), realizada pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) entre os dias 1º e 3 de junho, em Gramado, na Serra Gaúcha, foi a palestra de Laíz Foltran, coordenadora de Inteligência de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que apresentou um panorama completo da produção de ovos no Brasil, destacando dados atualizados, projeções e desafios da cadeia produtiva. A especialista iniciou contextualizando o papel da ABPA na representação dos setores de avicultura e suinocultura no Brasil e no exterior, com mais de 140 associados e atuação conjunta com os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores.
De acordo com os dados mais recentes da associação, o Brasil produziu 57,7 bilhões de ovos em 2024 — um recorde histórico — o que consolidou o país como o quinto maior produtor mundial. Laíz destacou que, diferentemente da avicultura de corte, concentrada no Centro-Sul, a produção de ovos está disseminada por todo o território nacional, com mais de 490 estabelecimentos sob inspeção federal. O setor movimentou R$ 26 bilhões no ano passado, com previsão de ultrapassar R$ 31 bilhões em 2025, representando 2% do valor bruto da produção agropecuária nacional. O Rio Grande do Sul, além de estar entre os seis maiores produtores, responde por 9% desse valor.
O crescimento do setor foi sustentado pelo aumento contínuo dos alojamentos de matrizes e poedeiras comerciais, com exceção de 2022, ano impactado por pressões inflacionárias e custos elevados, como os de embalagens. A retomada, no entanto, já foi observada em 2023, e os alojamentos seguiram crescendo em 2024 — 10% para matrizes e 5% para comerciais. Segundo Laíz, “os alojamentos feitos agora refletem no mercado nos próximos anos, por isso, mesmo com uma leve retração esperada para 2025, o cenário ainda é positivo”.

No consumo interno, o brasileiro é o principal cliente da própria produção nacional. Em 2024, o país alcançou consumo per capita recorde, com 269 ovos por habitante. As exportações, por sua vez, representaram menos de 1% do total produzido, embora tenham apresentado variações pontuais, como o pico observado em 2023, devido à abertura temporária do mercado italiano. O Rio Grande do Sul liderou as exportações no ano passado, com 35% de participação. Atualmente, 60% do volume exportado é de ovos in natura, e 40% industrializados — cenário que, segundo a ABPA, reforça a necessidade de agregar valor à produção para ampliar competitividade internacional.
A equipe FeedFood esteve presente no evento, acompanhando todos os destaques e tendências do setor.
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