Em 2026, a Coamo Agroindustrial Cooperativa ampliou o apoio financeiro aos 33 mil cooperados e acelerou projetos de armazenagem, biocombustíveis e logística no Paraná e em Santa Catarina. A estratégia busca sustentar a produção diante da pressão sobre as margens, dos custos elevados e do crédito bancário mais seletivo, além de agregar valor aos grãos recebidos.
Sediada em Campo Mourão (PR), a Coamo encerrou 2025 com receita de R$ 28,7 bilhões e sobras líquidas de R$ 2,02 bilhões. As operações em conta-corrente com associados somam cerca de R$ 9 bilhões e incluem a aquisição de insumos para a safra 2026/27, com pagamento após a colheita.
Expansão no Paraná
A cooperativa arrendou unidades agrícolas em Alvorada do Sul, Mauá da Serra, Teixeira Soares e Tibagi. As estruturas devem ampliar o recebimento de grãos e o atendimento nas regiões Norte, Norte Pioneiro e Campos Gerais. Valores, capacidades e datas de início das operações não foram divulgados.
Em janeiro, a Coamo comprou quatro estruturas de armazenagem no norte paranaense e uma unidade de beneficiamento de sementes em Tamarana por R$ 136 milhões. Em Campo Mourão, investe R$ 64,2 milhões em cinco silos, com capacidade conjunta de 32,7 mil toneladas. Desse total, R$ 60,5 milhões foram financiados pelo BNDES.

Milho ganha destino
Mais da metade da usina de etanol de milho em Campo Mourão já foi concluída, com término previsto para março de 2027. A planta deverá consumir entre 600 mil e 650 mil toneladas do cereal por ano, perto de 16% do volume anual recebido pela Coamo. O processo produzirá também DDG, coproduto destinado à alimentação animal.
Em Paranaguá (PR), a cooperativa constrói uma unidade de biodiesel com capacidade estimada em mil toneladas diárias. A ampliação futura dos projetos dependerá do desempenho dos mercados de combustíveis e coprodutos.
Porto depende de licenças
Em Itapoá (SC), o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina concedeu a Licença Ambiental Prévia ao terminal privado estimado em R$ 3 bilhões. O projeto prevê movimentar até 11 milhões de toneladas anuais a partir de 2030, incluindo grãos, fertilizantes, combustíveis, biocombustíveis e GLP.
A licença, válida por 60 meses, reconhece a viabilidade ambiental inicial, mas não autoriza as obras. A Coamo ainda deverá cumprir condicionantes e obter a Licença Ambiental de Instalação. O empreendimento ocupará 42,8 hectares e prevê suprimir 36,8 hectares de Mata Atlântica, com medidas de mitigação e compensação. Caso avance nas etapas restantes, será uma alternativa a Paranaguá, por onde a cooperativa escoa quase 5 milhões de toneladas por ano.



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