As incertezas climáticas nos Estados Unidos voltaram a movimentar as cotações da soja e do milho na Bolsa de Chicago e podem criar oportunidades pontuais de comercialização para produtores brasileiros. A avaliação é da Biond Agro, que recomenda vendas graduais para aproveitar momentos de valorização sem comprometer toda a produção.
O mercado acompanha principalmente o calor e a distribuição irregular das chuvas sobre áreas produtoras norte-americanas. Em julho, uma extensa onda de calor avançou sobre os Estados Unidos, com previsão de temperaturas acima da média e persistência por vários dias, inclusive em estados das Planícies do Norte.
Mercado incorpora risco climático
Segundo Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, as altas refletem, neste momento, a possibilidade de perdas, e não uma quebra já confirmada da safra.
“Hoje, o mercado está precificando o risco. Ainda não existe uma perda consolidada da safra nos Estados Unidos. Por isso, a orientação é que o produtor aproveite as oportunidades que surgem agora, sem apostar que os preços vão continuar subindo indefinidamente”, afirma.

Na soja, as perspectivas de oferta elevada ainda limitam parte do potencial de valorização. Projeções divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos no início do ano indicavam aumento da área destinada à oleaginosa e colheitas de soja e milho entre as maiores da história, considerando condições climáticas normais.
No milho, o período de polinização amplia a sensibilidade às temperaturas elevadas e à disponibilidade de umidade. Alterações nas previsões meteorológicas podem provocar movimentos rápidos nos contratos futuros.
Vendas escalonadas reduzem exposição
A Biond Agro orienta dividir a comercialização em etapas para proteger margens e diminuir o impacto de uma eventual reversão dos preços. A empresa sugere cautela para não ultrapassar 40% da safra 2026/27 negociada até o fim do ano.
Esse percentual, entretanto, não deve ser tratado como regra geral. Custos de produção, produtividade esperada, compromissos financeiros, armazenagem e preços disponíveis em cada região precisam orientar a decisão.
Caso as chuvas retornem regularmente ao cinturão agrícola norte-americano, parte do prêmio climático incorporado às cotações pode desaparecer. Por isso, a comercialização deve considerar a margem obtida e o fluxo de caixa da propriedade, e não somente a expectativa de novas altas.




