A China reconheceu todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, em decisão anunciada nesta terça-feira (2 de junho), durante visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim. O reconhecimento ocorre após mais de 20 anos de negociações entre os dois países e foi recebido por entidades da proteína animal como um avanço para as exportações brasileiras.
Para suinocultores, pecuaristas, frigoríficos e exportadores, a medida tem impacto direto porque pode ampliar o acesso de produtos bovinos e suínos ao mercado chinês, especialmente itens que dependem de reconhecimento sanitário específico, como carnes com osso, miúdos e outros cortes de maior restrição comercial.
Suinocultura vê potencial de avanço nos embarques
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) avaliou que o reconhecimento deve beneficiar diretamente a suinocultura nacional. Segundo a entidade, a ampliação do status sanitário para outros estados com plantas habilitadas pode representar incremento superior a 40 mil toneladas anuais nos embarques brasileiros de carne suína destinados à China.
Antes da decisão, apenas Santa Catarina, com sete plantas habilitadas para exportação ao mercado chinês, detinha esse reconhecimento sanitário perante as autoridades da China. Com a mudança, Rio Grande do Sul, com oito plantas, e Mato Grosso, com uma unidade, também deverão ser beneficiados de forma imediata, com possibilidade de embarcar carnes com osso e miúdos externos.
De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o resultado fortalece a confiança sanitária construída entre Brasil e China. “O anúncio também amplia as oportunidades para a cadeia produtiva brasileira de carne suína, especialmente em estados que passam a contar com o mesmo reconhecimento sanitário anteriormente concedido apenas a regiões específicas do país”, analisa.

Carne bovina também ganha previsibilidade
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) classificou a decisão como histórica para a pecuária brasileira. Para a cadeia da carne bovina, o reconhecimento traz mais segurança e previsibilidade ao comércio com a China, principal destino das exportações brasileiras do produto.
A entidade destacou que a medida é resultado de um processo construído ao longo dos anos por produtores rurais, indústrias, serviços veterinários oficiais e instituições ligadas à defesa agropecuária. Na prática, o reconhecimento reforça a importância de vigilância sanitária, monitoramento e controle para manter mercados estratégicos abertos.
O avanço também se conecta ao memorando de entendimento assinado em maio de 2025 entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Administração-Geral de Aduanas da China, voltado à área de medidas sanitárias e fitossanitárias. O documento contribuiu para fortalecer o diálogo técnico entre os países e destravar pautas de interesse do setor agropecuário brasileiro.
Sanidade pesa na competitividade internacional
O reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa pela China amplia o argumento sanitário do Brasil nas negociações internacionais. Para as cadeias de bovinos e suínos, isso pode significar novas habilitações, maior aproveitamento das plantas exportadoras e abertura para produtos de maior valor agregado.
Segundo Santin, a medida cria condições mais favoráveis para aprofundar as relações comerciais entre Brasil e China. Para o setor produtivo, o ponto central é que sanidade animal deixou de ser apenas uma exigência técnica e passou a ser um fator decisivo para acesso a mercados, geração de renda e competitividade da proteína animal brasileira.
Fonte: ABPA e ABIEC, adaptado pela equipe Feed&Food
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