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Cenário global da influenza aviária acende alerta para riscos à saúde animal

Relatório da OMSA aponta expansão do vírus H5N1, afetando mamíferos, aves e até seres humanos em diversos continentes

Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

A mais recente análise da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) revela um cenário preocupante no avanço da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (HPAI) pelo mundo. O vírus H5N1, cepa dominante nos surtos atuais, tem se espalhado com intensidade entre aves silvestres, animais de produção e, de forma inédita, também entre mamíferos terrestres e marinhos — incluindo casos documentados em seres humanos.

O relatório aponta que, entre 2022 e 2025, houve um aumento significativo de surtos em regiões que anteriormente apresentavam baixos índices de notificação. Entre os continentes mais afetados estão Europa, Ásia e América do Norte, com notificações também na América do Sul e na África. Países como EUA, Japão, Brasil e Reino Unido relataram episódios de contaminação em aves comerciais, impondo sérios desafios sanitários e econômicos.

Novo ciclo de transmissão entre mamíferos

Um dos aspectos mais alarmantes destacados pela OMSA é o crescente número de infecções em mamíferos. Casos em visons, leões-marinhos, ursos e até gado leiteiro acenderam o alerta da comunidade científica, principalmente pela proximidade desses animais com ambientes humanos e a possibilidade de adaptação viral.

Estudos genômicos identificaram mutações no vírus que indicam capacidade limitada, porém crescente, de transmissão entre mamíferos. Nos Estados Unidos, surtos em rebanhos leiteiros provocaram preocupação generalizada, especialmente após a confirmação de que trabalhadores rurais contraíram a infecção, embora com sintomas leves e sem evidência de transmissão sustentada entre pessoas.

O avanço do H5N1 afeta diretamente a segurança alimentar e o comércio internacional

Impactos econômicos e sanitários

O avanço do H5N1 afeta diretamente a segurança alimentar e o comércio internacional. A eliminação de plantéis inteiros de aves, medida necessária para conter surtos, gerou impactos econômicos severos em diversos países. Ao mesmo tempo, o aumento dos custos com biosseguridade e vigilância epidemiológica pressiona ainda mais os sistemas produtivos.

No Brasil, que figura entre os maiores exportadores de proteína animal do mundo, a confirmação de casos em aves silvestres levou à adoção de zonas de contenção e vigilância intensificada, conforme os protocolos da OMSA. Relatórios de autodeclaração de status sanitário também foram submetidos pela autoridade brasileira à organização internacional.

Vacinação em debate

Diante da complexidade da situação, a OMSA recomenda que os países considerem a vacinação estratégica de aves em áreas de alto risco — uma medida historicamente controversa, mas que vem ganhando força. França, Egito e China já adotaram programas de imunização, enquanto outros países ainda avaliam a viabilidade técnico-econômica da medida.

Além disso, a organização destaca a importância da aplicação do conceito “Uma Só Saúde”, que integra vigilância animal, humana e ambiental. A detecção precoce, o compartilhamento rápido de dados e a colaboração entre países são pilares essenciais para enfrentar a ameaça de uma eventual pandemia de origem zoonótica.

Cooperação internacional é chave

A OMSA reforça que o risco de infecção humana ainda é considerado baixo, mas não pode ser subestimado. Com a colaboração da FAO e da OMS, a organização tem atuado para padronizar protocolos de vigilância, diagnóstico, comunicação de risco e ações de emergência.

O documento conclui que, embora os esforços globais estejam avançando, o H5N1 continua representando uma ameaça persistente e em evolução. A preparação, vigilância e transparência são, segundo a OMSA, os melhores caminhos para prevenir uma crise sanitária maior.

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