O verão de 2026 deve registrar temperaturas acima da média histórica em grande parte do país, especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, regiões que concentram os maiores rebanhos de corte do Brasil. O prognóstico é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e acende um alerta para os impactos do calor sobre o desempenho dos animais e os custos de produção.
O aumento da temperatura intensifica o risco de estresse térmico, condição que reduz o consumo de ração, altera o metabolismo e compromete diretamente o ganho de peso. Estudos da Phibro Saúde Animal indicam que bovinos submetidos a calor intenso podem apresentar queda de 10% a 20% no ganho médio diário, afetando a eficiência produtiva do sistema.
Segundo José Loschi, fundador da SRX Holdings, a redução na ingestão alimentar é uma das primeiras respostas do animal ao estresse térmico. Com menor consumo, a conversão alimentar piora e o custo por quilo produzido aumenta. Além do impacto no bem-estar, o calor passa a pressionar diretamente a rentabilidade da fazenda, especialmente em sistemas intensivos.

Dados de mercado da Scot Consultoria mostram que a queda no ganho de peso prolonga o tempo de terminação e eleva o custo por arroba produzida. Um animal que ganha menos peso por dia precisa permanecer mais tempo em alimentação para atingir o mesmo acabamento de carcaça, o que amplia o gasto com ração.
Com base nas perdas médias observadas, uma redução de 15% no ganho médio diário pode representar prejuízo superior a R$ 180 por animal por ciclo, considerando o aumento do período de engorda e o custo alimentar acumulado. Diante desse cenário, o manejo passa a ser decisivo para preservar a margem.
Especialistas destacam que ajustes na formulação das dietas para o verão, a oferta de alimento nos horários mais frescos do dia e a garantia de água de qualidade e sombra adequada são medidas essenciais para mitigar os efeitos do calor. A adoção dessas estratégias contribui para manter o desempenho dos animais e equilibrar os custos de produção durante a estação mais quente.
Fonte: Inmet; Phibro Saúde Animal; Scot Consultoria; SRX Holdings, adaptado pela equipe Feed&Food
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