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Brasil registra nascimento dos primeiros bezerros geneticamente editados

Parceria entre Embrapa, Associação Brasileira de Angus e empresas do setor aposta em bovinos mais resistentes ao calor tropical

Pela primeira vez nas Américas, bezerros geneticamente editados nasceram no Brasil a partir de embriões fecundados in vitro. O feito, anunciado pela Embrapa em conjunto com a Associação Brasileira de Angus, representa um avanço importante para a bovinocultura nacional. Utilizando a tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9, o projeto visa desenvolver animais mais adaptados às altas temperaturas e às mudanças climáticas, condição cada vez mais relevante para a produção pecuária no país.

Entre o fim de março e início de abril nasceram cinco bezerros da raça Angus, três deles com edição genética comprovada. Segundo o sequenciamento realizado pela Embrapa Gado de Leite (MG), os animais carregam a característica de pelagem curta e lisa, conferindo maior resiliência ao calor. A alteração foi promovida com o uso da CRISPR/Cas9 no gene receptor da prolactina, responsável por controlar a temperatura corporal dos bovinos. A técnica, aplicada por eletroporação de zigotos, é considerada menos invasiva e mais eficaz do que métodos tradicionais de modificação genética.

Para o pesquisador Luiz Sérgio de Almeida Camargo, da Embrapa Gado de Leite, os primeiros resultados indicam taxas de edição acima de 67% em dois dos animais. “Os resultados já são suficientes para que os animais apresentem a característica desejada”, destaca Camargo, ao explicar que a mutação favorece uma pelagem que reduz a retenção de calor. Além do impacto direto na produtividade, a adaptação genética contribui para o bem-estar animal, um diferencial competitivo para a carne brasileira.

Bezerros geneticamente editados nasceram no Brasil a partir de embriões fecundados in vitro(Foto: Rubens Neiva/Embrapa)

A iniciativa conta com apoio de diversas instituições, como CNPq, Fapemig, Sebrae e Casa Branca Agropastoril. O presidente da Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, José Paulo Cairoli, avalia o feito como um marco para a pecuária nacional. “Gerar os primeiros animais melhorados via edição gênica é um passo histórico. Essa parceria com a Embrapa reforça nosso compromisso com a evolução da raça e o futuro do setor”, afirma. A próxima fase da pesquisa acompanhará o desenvolvimento dos bezerros, avaliará a transmissão genética às próximas gerações e buscará consolidar uma linhagem adaptada às exigências climáticas tropicais.

Fonte: Associação Brasileira de Angus, adaptado pela equipe FeedFood.

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