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Brasil reforça cooperação internacional para preservar bagres migratórios na Amazônia

Discussões na COP15 avançam com proposta de plano regional para conservação das espécies

bagres migratórios amazônicos

O Brasil intensificou as discussões sobre a preservação de bagres migratórios amazônicos durante a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS). O tema foi destaque em painel promovido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), realizado no dia 25 de março.

O encontro reuniu especialistas, representantes de governos e pescadores de países amazônicos para debater dados pesqueiros, rotas migratórias e os desafios ambientais enfrentados por essas espécies.

Entre os peixes abordados estão a dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e a piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii), que dependem da conectividade dos rios ao longo de toda a Bacia Amazônica para completar seus ciclos migratórios.

Espécies enfrentam pressão ambiental crescente

As espécies migratórias vêm sendo impactadas por fatores como barragens hidrelétricas, mineração com contaminação por mercúrio e degradação dos ecossistemas.

Esses desafios afetam não apenas a biodiversidade, mas também a segurança alimentar e a geração de renda de comunidades ribeirinhas que dependem da pesca.

Segundo especialistas, os grandes bagres representam cerca de 23% da captura total na Amazônia, reforçando sua relevância econômica e social na região.

bagres migratórios amazônicos
Bagres migratórios, como a dourada, dependem da conectividade dos rios amazônicos para completar seus ciclos e garantir a sustentabilidade da pesca. Crédito: Reprodução

Plano regional propõe ações integradas

Durante a conferência, foi apresentado o Plano de Ação Regional para Bagres Migratórios Amazônicos, uma estratégia construída com participação de seis países da região: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

O plano busca integrar políticas públicas e ações voltadas à conservação das espécies, com foco na cooperação internacional e na gestão sustentável dos recursos pesqueiros.

Entre os principais objetivos estão a preservação dos habitats, a garantia da conectividade dos rios, o fortalecimento da pesquisa científica e a promoção de cadeias produtivas sustentáveis.

Integração entre países é considerada essencial

A proposta também prevê a harmonização de normas entre os países amazônicos e o fortalecimento da participação de comunidades locais e indígenas nos processos de gestão.

A integração regional é vista como fundamental, já que as espécies migratórias atravessam fronteiras e dependem de ações coordenadas para sua preservação.

O plano inclui ainda diretrizes para monitoramento e captação de recursos, com o objetivo de ampliar os impactos positivos tanto na conservação quanto no desenvolvimento socioeconômico da região.

Conectividade dos rios é ponto central

Especialistas destacam que manter a conectividade dos rios é um dos principais desafios para garantir a sobrevivência dessas espécies.

A adoção do plano na COP15 é considerada estratégica para fortalecer a sustentabilidade da pesca e assegurar o futuro dos ecossistemas amazônicos.

O avanço das discussões reforça a necessidade de alinhar políticas de infraestrutura, energia e uso da terra para evitar impactos negativos sobre os sistemas fluviais.

Fonte: MPA, adaptado pela equipe Feed&Food

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