A Hedgepoint Global Markets revisou para cima sua estimativa de produção e agora projeta um volume de 179,5 milhões de toneladas, acima da previsão anterior de 178 milhões. Se confirmada, a marca representará um novo recorde nacional.
Segundo a consultoria, a revisão reflete a combinação de aumento de área plantada e melhora nas produtividades médias, especialmente nos principais estados produtores. As condições climáticas favoráveis, observadas de forma mais consistente a partir de dezembro de 2025, também sustentam o cenário positivo.
De acordo com Luiz Fernando Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, as estimativas levam em conta, entre outros fatores, os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI). “Os indicadores apontam um excelente desenvolvimento das lavouras nos principais estados produtores até o momento”, afirma.
Recuperação no Sul impulsiona projeções
Um dos destaques da safra 2025/26 é o Rio Grande do Sul, que apresenta forte recuperação após três ciclos consecutivos prejudicados por adversidades climáticas. O estado registra níveis elevados de NDVI, sinalizando melhora significativa nas lavouras.
“A retomada da produtividade no Rio Grande do Sul é um dos fatores mais determinantes da nossa revisão para cima. É o elemento que pode consolidar o recorde nacional”, destaca Roque.

Condições favoráveis nos principais estados produtores
Além do Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná, maiores produtores de soja do país, também apresentam condições climáticas bastante favoráveis, refletidas em índices robustos de vegetação.
Outros estados relevantes, como Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia, igualmente registram altos níveis de NDVI, reforçando a perspectiva de uma produção consistente e bem distribuída pelo território nacional.
Colheita começa mais adiantada
O início da colheita também confirma o bom desempenho da safra. Até 16 de janeiro, cerca de 3% da área nacional já havia sido colhida, percentual superior aos 1,1% registrados no mesmo período do ano passado e próximo da média histórica de 2,7%.
Apesar de alguns atrasos no plantio observados em setembro e outubro, a Hedgepoint avalia que não há expectativa de impactos relevantes sobre a produtividade. “Mantido o cenário climático projetado, não vemos riscos significativos para os principais estados produtores”, reforça Roque.
Clima segue no radar
No curto prazo, entre 21 e 27 de janeiro, a previsão indica chuvas mais intensas no Centro-Norte do país, o que pode reduzir temporariamente o ritmo da colheita em Mato Grosso. Já as regiões Sul e Sudeste devem registrar volumes menores de precipitação, favorecendo o avanço dos trabalhos, especialmente no Paraná.
Para fevereiro, as projeções apontam chuvas abaixo da média no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, o que tende a beneficiar o ritmo da colheita na faixa central do país. No Sul, a umidade acima da média deve favorecer principalmente o Rio Grande do Sul, consolidando a recuperação das lavouras.
A Hedgepoint, no entanto, sinaliza atenção para o Nordeste, onde parte das áreas foi plantada mais tardiamente e ainda depende de volumes adequados de chuva para assegurar o potencial produtivo.
Fonte: Hedgepoint Global Markets, adaptado pela equipe Feed&Food.
LEIA TAMBÉM:
Agrifirm destaca soluções sustentáveis e eficiência produtiva na IPPE 2026
O setor encerrou 2025 fortalecido e mira avanços estratégicos em 2026
Queda no frango vivo derruba poder de compra do avicultor em janeiro





