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Brasil avança no comércio internacional de carne bovina com novo status sanitário

Reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa sem vacinação fortalece acesso a mercados estratégicos e impulsiona competitividade do setor

Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

O Brasil alcançou em maio de 2025 um marco histórico no cenário da pecuária mundial ao ser oficialmente reconhecido como país livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A certificação representa uma conquista estratégica para o setor agropecuário brasileiro, não apenas pelo reforço à imagem de país comprometido com a sanidade animal, mas também pelas oportunidades comerciais que se abrem a partir desse novo status.

De acordo com o boletim “Mercado em Foco” da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o reconhecimento sanitário posiciona o Brasil entre os poucos países sul-americanos com esse nível de credibilidade, e pode destravar negociações importantes com mercados que até então apresentavam barreiras à carne bovina brasileira. É o caso de Japão, Coreia do Sul e Vietnã — países com alto valor por tonelada paga e critérios rigorosos para importação de proteínas de origem animal.

Além da abertura de novos destinos, o status fortalece a posição brasileira em mercados já consolidados. Atualmente, cinco países concentram quase 70% das exportações brasileiras de carne bovina: China (46,6%), Estados Unidos (8,1%), Emirados Árabes Unidos (6,2%), Chile (3,9%) e União Europeia (2,5%). Só em 2024, o Brasil exportou carne para 157 países, um crescimento de 55% no volume exportado desde 2019.

Segundo a CNA, a valorização da carne bovina brasileira depende cada vez mais da capacidade de atender aos requisitos sanitários e regulatórios dos mercados internacionais.

A China, principal compradora da carne bovina nacional, abriu uma investigação em dezembro de 2024 para avaliar possíveis salvaguardas após registrar aumento de 106,28% nas importações brasileiras nos últimos cinco anos. Embora o comércio siga normalmente, o risco de medidas restritivas reforça a necessidade de diversificação dos destinos e investimentos em qualidade e rastreabilidade.

Nesse sentido, o avanço do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) se torna um pilar estratégico. O sistema, que deve rastrear 100% do rebanho brasileiro até 2032, amplia o controle sanitário e traz maior previsibilidade às relações comerciais. A rastreabilidade, já exigida em mercados como a União Europeia, passa a ser nacionalizada, com identificação obrigatória dos animais antes da primeira movimentação.

Outro destaque do boletim da CNA é o mercado Halal. Em 2024, as exportações brasileiras de carne bovina certificada Halal cresceram 55% em volume, respondendo por 22% das exportações do setor. Hoje, 233 frigoríficos no Brasil são certificados pela FAMBRAS Halal, e a demanda por essa certificação segue em alta, inclusive em países não islâmicos, que valorizam os altos padrões de qualidade, segurança e bem-estar animal associados ao selo.

As barreiras comerciais — tarifárias e não tarifárias — ainda representam desafios importantes. Países como os Estados Unidos e a União Europeia operam com cotas limitadas e tarifas elevadas fora dessas cotas. A “Cota Hilton”, por exemplo, permite a exportação de até 10 mil toneladas de carne bovina premium à UE com tarifa reduzida. Em 2025, o Brasil atingiu 80% da cota já nos primeiros 17 dias de janeiro — o ritmo mais acelerado da história. Fora da cota, as tarifas podem chegar a 12,8% mais €3.041 por tonelada, tornando o produto brasileiro menos competitivo.

Nos Estados Unidos, onde as exportações de carne in natura brasileira foram suspensas em 2017 por inconformidades sanitárias, a reabertura do mercado em 2020 permitiu um salto nas vendas, que quadruplicaram e chegaram a 230 mil toneladas em 2024. O país se tornou o segundo maior importador da carne bovina brasileira, atrás apenas da China.

Para sustentar esse crescimento, o Brasil reforça seu compromisso com o controle de resíduos químicos. O Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) garante 99,5% de conformidade com os limites máximos permitidos, assegurando qualidade e segurança alimentar.

Segundo a CNA, a valorização da carne bovina brasileira depende cada vez mais da capacidade de atender aos requisitos sanitários e regulatórios dos mercados internacionais. Isso inclui não só o cumprimento de protocolos oficiais, mas também a adesão a padrões privados, certificações voluntárias e práticas sustentáveis. Com a consolidação do PNIB, o país dá um salto em transparência e credibilidade, colocando o produtor rural como protagonista de uma cadeia produtiva mais segura e valorizada.

Além dos ganhos econômicos diretos — como maior remuneração ao pecuarista, valorização da arroba, estabilidade de preços e atração de investimentos —, o novo momento abre oportunidades de geração de empregos e de modernização da infraestrutura logística, promovendo desenvolvimento regional e nacional.

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