Camila Santos, de Florianópolis (SC)
Biosseguridade. Essa foi a palavra de ordem na palestra intitulada “Atualizações sobre biosseguridade na avicultura brasileira (situação epidemiológica e pontos de atenção)”. Apresentada pelo médico-veterinário e especialista em Defesa Sanitária Animal, Bruno Pessamilio, trouxe um alerta direto e técnico em sua participação no Bloco Sanidade do 15º Simpósio Técnico da ACAV: a avicultura brasileira precisa evoluir de uma cultura apenas preventiva para uma estrutura operacional de resposta imediata a emergências sanitárias.
“Não basta mais apenas prevenir. O vírus está aí. Nós temos que saber reagir”, afirma. Pessamilio apresentou uma visão abrangente sobre a situação epidemiológica do Brasil, os principais pontos de atenção em biosseguridade e a complexidade envolvida nos planos de contingência diante de doenças como a influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP).
Ele destacou que o Brasil vem demonstrando capacidade técnica, especialmente em casos recentes no Rio Grande do Sul, mas advertiu que o cenário exige preparo contínuo e colaboração entre setor produtivo e serviços oficiais. “Temos que estar prontos para sacrificar, destruir carcaças, fazer limpeza e desinfecção, e depois implementar uma gestão de risco para continuar operando. A produção não pode parar”, frisa.

Nova realidade: estrutura interna para emergências
Bruno defendeu que as empresas devem incorporar a emergência sanitária como uma área estruturada, semelhante às áreas de segurança, bem-estar e sustentabilidade. “Já temos empresas contratando profissionais exclusivamente para lidar com emergências. Isso é mudança de cultura”, afirma.
Segundo ele, enfrentar uma emergência não é tarefa exclusiva dos médicos veterinários. “É preciso envolver RH, jurídico, financeiro, manutenção, operação. O veterinário vai dizer que precisa de 50 pessoas para atuar em um foco. Quem vai contratar? É o RH. Quem vai liberar orçamento? É o financeiro. É uma operação multidisciplinar”, explica.
Contingência: do foco à retomada sanitária
Pessamilio detalhou os passos da resposta sanitária oficial: notificação de suspeitas, classificação de risco, interdição, colheita de amostras, declaração de foco, definição de zonas de emergência e, por fim, ações como sacrifício sanitário, vazio sanitário e repovoamento gradual.
A logística de destruição de carcaças e compostagem também foi apontada como crítica. “Não é só marcar um ‘X’ no mapa da granja. É preciso calcular se aquele espaço comporta a compostagem de todo o plantel. Existe cálculo técnico para isso. As empresas precisam se especializar também em destruição”, reforça.
Pessamilio encerrou com um chamado à conscientização e à prática: “Estamos entrando em uma nova realidade. Emergência sanitária é complexa, e quem não se preparar, pode comprometer todo o setor.”
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