A preocupação com o bem-estar de camarões cultivados ganhou espaço nas discussões técnicas e comerciais da aquicultura. O movimento acompanha pesquisas que identificam respostas comportamentais de crustáceos a estímulos nocivos e a inclusão dos decápodes em políticas públicas de proteção animal.
No Reino Unido, a Lei de Senciência Animal de 2022 reconheceu camarões e outros crustáceos decápodes como seres sencientes. A norma aumentou a atenção sobre as condições de criação, transporte e abate, embora ainda existam lacunas regulatórias específicas.
No Brasil, o Manual de Boas Práticas de Manejo e de Biossegurança para a Carcinicultura Brasileira, publicado pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) em 2021, reúne orientações que podem reduzir estressores durante o cultivo e a despesca.
Controle começa no viveiro
A qualidade da água e do solo está entre os principais pontos de controle. Temperatura, oxigênio dissolvido, salinidade, pH e concentração de matéria orgânica devem ser monitorados para evitar condições que comprometam a saúde e a sobrevivência dos camarões.
A alimentação precisa considerar a fase de desenvolvimento, a digestibilidade da ração e sua distribuição nos viveiros. A densidade de estocagem também deve respeitar a capacidade do sistema, a disponibilidade de oxigênio e a estrutura de manejo da propriedade.
Transporte e despesca
Durante amostragens, transferências e transporte, o tempo de manipulação deve ser reduzido. Aclimatação, controle térmico, qualidade da água e equipes treinadas ajudam a diminuir perdas, especialmente durante períodos de muda.
Na despesca, o planejamento deve considerar as condições dos animais, a rapidez da operação e a manutenção da cadeia de frio. Métodos de atordoamento e abate precisam seguir protocolos validados para a espécie, evitando exposição prolongada a condições adversas.
Resultados dependem do manejo
O enriquecimento ambiental, com substratos, abrigos ou ajustes de iluminação, aparece como uma frente de pesquisa, mas exige avaliação para não prejudicar a higiene e a biossegurança. Para o produtor, práticas mais controladas podem contribuir para sobrevivência, uniformidade e previsibilidade, embora os resultados dependam das condições de cada sistema.
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