O médico-veterinário Eder Barbon destacou os efeitos das práticas inadequadas de insensibilização e abate sobre o bem-estar animal e o rendimento da carcaça durante palestra no 25º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, realizada de 8 a 10 de abril em Chapecó (SC). Com 35 anos de experiência no setor, ele abordou questões técnicas envolvendo lesões recorrentes em aves, como fraturas de costela, contusões em asa e hemorragias musculares, ligadas diretamente ao manejo elétrico inadequado e ao contato deficiente com os equipamentos da linha.
Ao apresentar imagens de campo e plantas industriais, o especialista reforçou que a maioria das lesões ocorre de forma recorrente em uma única asa – geralmente a direita – e alertou sobre a necessidade de se considerar o tipo de impacto gerado pela corrente elétrica. “A vida inteira ouvimos que a frequência causava os danos. Hoje sabemos que é a voltagem que impacta diretamente a carcaça. A frequência é o tampão; a voltagem é o golpe”, explicou Barbon.
Ele também chamou a atenção para o ajuste inadequado das Cubas de insensibilização, a ausência de rampas de entrada e o mau contato entre os ganchos, fatores que aumentam significativamente o risco de atropelamento das aves e piora nos índices de qualidade do produto. “Há plantas com mais de 40% de incidência em lesões de asa. Isso impacta o rendimento e a comercialização, principalmente quando falamos de exportação”, ressaltou, citando a importância da normativa nº 17, de 2021, que permitiu o reaproveitamento de partes anteriormente descartadas.

Barbon defendeu o uso de equipamentos de registro constante, que permitem o monitoramento em tempo real dos parâmetros elétricos aplicados no abate. “O maior erro hoje está no contato do gancho com a barra. Sem isso, não há corrente suficiente e o processo é falho”, concluiu.
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