Marketing, no agronegócio, não se limita à divulgação de produtos. Ele começa na capacidade de identificar necessidades ainda pouco percebidas, transformar inovação em valor e construir mercados duradouros. Essa é a tese defendida por José Luiz Tejon ao analisar como ideias pioneiras mudaram diferentes segmentos da economia e do campo.
Ao longo da história, produtos e serviços que hoje parecem indispensáveis surgiram antes de existir uma demanda claramente formulada. No agro brasileiro, Tejon cita a introdução das sementes híbridas pela Agroceres e a expansão do uso de fertilizantes como exemplos de soluções que precisaram vencer resistências, demonstrar resultados e conquistar a confiança dos produtores.
Inovação precisa virar mercado
Criar uma tecnologia, porém, não garante liderança permanente. Concorrentes podem aperfeiçoar a proposta original, agregar novos serviços e conquistar espaço diante de consumidores mais exigentes. Por isso, administrar o mercado criado é tão importante quanto lançar uma novidade.
O desafio ganha peso no Brasil, que desenvolveu uma agricultura tropical competitiva e ampliou sua presença no comércio mundial. Para conservar essa posição, o País precisa avançar em logística, agroindustrialização, diferenciação de produtos, construção de marcas e comunicação com compradores e consumidores.
Na cadeia de proteína animal, a mesma lógica aparece no crescimento das empresas, na ampliação do comércio internacional e nas campanhas voltadas ao mercado interno. Tejon menciona a atuação da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) como exemplo de marketing operacional aplicado à valorização da carne suína.
Liderança exige ação coletiva
O próximo salto, segundo o autor, não pode depender apenas de empresários ou iniciativas isoladas. Empresas, entidades, governos, universidades e produtores precisam transformar criatividade em planos competitivos, com metas, governança e capacidade de execução.
Essa articulação deve aproximar inovação, produção e mercado. Também precisa acompanhar mudanças no comportamento dos consumidores, que observam qualidade, conveniência, origem, sustentabilidade e confiança nas marcas.
Para Tejon, o futuro do agro brasileiro será definido pela capacidade de antecipar demandas, comunicar valor e permanecer próximo das necessidades humanas. Mais do que vender, marketing significa criar, administrar e liderar mercados.
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