Oito entidades representativas do agronegócio de Santa Catarina definiram, nesta quarta-feira (26), uma agenda conjunta de prioridades para o próximo ciclo legislativo, de 2027 a 2031. O documento reúne propostas consideradas estratégicas para preservar a competitividade e criar condições para o crescimento do setor no Estado.
A pauta será apresentada aos candidatos a deputado estadual e federal nas eleições de 2026, com o objetivo de estabelecer compromissos em temas que impactam diretamente produtores, cooperativas, indústrias e demais segmentos da cadeia agropecuária.
“Construímos uma pauta comum a partir de problemas que afetam diretamente quem produz, industrializa e comercializa em Santa Catarina. São entidades com diferentes áreas de atuação, mas que compartilham desafios estruturais”, afirma o diretor superintendente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), Ricardo Miotto.
Segundo ele, a organização das demandas busca contribuir para o debate eleitoral e oferecer aos futuros parlamentares propostas para decisões que terão impacto sobre a competitividade do agronegócio catarinense nos próximos anos.
Quatro eixos concentram as demandas
As propostas foram divididas em quatro áreas prioritárias: Infraestrutura; Manutenção da Capacidade Competitiva; Sustentabilidade e Meio Ambiente; e Desburocratização.
A agenda contempla questões de competência estadual e federal e pretende orientar a atuação parlamentar durante o mandato iniciado em 2027.
Entre os setores diretamente envolvidos estão avicultura, suinocultura, produção de leite, cooperativismo, agricultura familiar e indústria de carnes e derivados — segmentos que têm participação relevante na economia e nas exportações de Santa Catarina.
A agenda é assinada pela Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina (FECOAGRO), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Santa Catarina (FETAESC), Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), SICOOB, Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina (SINDICARNE) e Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados de Santa Catarina (SINDILEITE).

Agro representa 66,1% das exportações
A mobilização das entidades ocorre em um Estado onde o agronegócio tem peso significativo na economia. Em 2025, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) de Santa Catarina atingiu R$ 74,9 bilhões, recorde histórico e crescimento real de 12,1% em relação ao ano anterior.
O setor envolve mais de 183 mil estabelecimentos agropecuários e aproximadamente 501 mil pessoas nas atividades de lavouras, florestas e produção animal.
No comércio exterior, o agronegócio catarinense movimentou US$ 7,94 bilhões em exportações em 2025, respondendo por 66,1% das vendas externas do Estado.
Proteína animal tem papel central
A produção de proteína animal está entre os principais pilares da pauta exportadora catarinense. Em 2025, Santa Catarina respondeu por 50,9% das exportações brasileiras de carne suína e por 25,64% das vendas externas de carne de frango.
A relevância também se estende à logística. Produtos do agronegócio representam quase 80% do volume movimentado pelos portos catarinenses, reforçando a importância de infraestrutura e eficiência logística para a competitividade das cadeias produtivas.
Nesse cenário, a agenda apresentada pelas entidades busca levar ao próximo ciclo legislativo demandas capazes de preservar as condições de produção e exportação do Estado, especialmente diante dos desafios relacionados a custos, infraestrutura, sustentabilidade, burocracia e acesso a mercados.
A expectativa é que o documento sirva como base para o diálogo com os candidatos nas eleições de 2026 e, posteriormente, para o acompanhamento dos compromissos assumidos pelos parlamentares eleitos.



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