Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27

Agro brasileiro cobra agenda de Estado para ampliar competitividade no mercado global

Na abertura da 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio, lideranças defenderam previsibilidade, segurança jurídica, acesso a mercados e maior integração entre agroindústria e setor financeiro.

A competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global passa, cada vez mais, por uma estratégia de longo prazo. Essa foi uma das principais mensagens da abertura da 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), realizada nesta segunda-feira (10), em São Paulo. Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3, o evento tem como tema “Agro & Indústria – integrando e transformando o Brasil”.

Reunindo autoridades e lideranças do setor, a abertura colocou em pauta desafios que vão além da produção: acesso a mercados, segurança alimentar, transição energética, sustentabilidade, financiamento, gestão de riscos e a necessidade de políticas públicas capazes de dar previsibilidade aos investimentos.

Na avaliação dos participantes, o Brasil já ocupa posição estratégica no fornecimento global de alimentos, mas precisa avançar na agregação de valor e na construção das regras que irão definir os mercados do futuro.

“Chegar a um quarto de século representa a maturidade de uma instituição que tem como missão antecipar tendências, compreender os grandes movimentos globais e contribuir para a construção de uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil”, afirmou Ingo Plöger, presidente da ABAG.

Segundo ele, o país construiu nas últimas décadas um agronegócio competitivo e protagonista, mas o próximo desafio é ampliar sua participação na definição das novas regras do comércio internacional, criando mercados, agregando valor à produção e contribuindo para uma economia mais sustentável.

Agenda estratégica para a agroindústria

Como parte dessa discussão, a ABAG entregou ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, uma Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira.

O documento foi elaborado a partir da análise de mais de 80 fatores, classificados de acordo com urgência, impacto e horizonte de implementação. A proposta reúne ações de curto, médio e longo prazo e busca contribuir para a construção de uma agenda permanente para o setor.

Durante a solenidade, Alckmin destacou o potencial brasileiro na produção e exportação de alimentos. “Estamos avançando para nos tornarmos o maior exportador de alimentos do mundo, superando os Estados Unidos”, afirmou.

O vice-presidente também destacou a importância da abertura comercial. Segundo ele, o acordo entre União Europeia e Mercosul resultou em crescimento de 4% nas exportações nos primeiros 60 dias de vigência, enquanto o governo segue empenhado nas negociações comerciais com os Estados Unidos.

Outro ponto abordado foi a reforma tributária. Dados do Ipea apresentados por Alckmin indicam que as mudanças poderão elevar o PIB em 12% em 15 anos, os investimentos em 14% e as exportações em 17%.

Como parte dessa discussão, a ABAG entregou ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, uma Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira.

Mercado de capitais ganha espaço no financiamento do agro

A necessidade de ampliar as alternativas de financiamento também esteve entre os temas da abertura do CBA.
Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, reforçou o papel do mercado de capitais na conexão entre produtores e empresas e os recursos necessários para financiar o crescimento do agronegócio.

Até junho, as emissões de Cédulas de Produto Rural (CPR) somavam R$ 470 bilhões. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) alcançavam R$ 560 bilhões, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) chegavam a R$ 170 bilhões e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) ultrapassavam R$ 30 bilhões.

Para Masagão, além do acesso ao crédito, o setor precisa avançar na gestão de riscos. Um dos desafios está na formação de preços das commodities no mercado brasileiro, ainda fortemente influenciada pelas referências internacionais.

Acesso a mercados como estratégia de competitividade

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou os avanços recentes na abertura de mercados. Segundo ele, o Brasil já conquistou 674 novos mercados para produtos agropecuários e a expectativa é superar a marca de 700 até o final de 2026.

A expansão das exportações também depende da capacidade de ampliar e diversificar os destinos dos produtos brasileiros.

“O Brasil possui uma posição de destaque no agronegócio mundial, mas essa posição precisa ser consolidada todos os dias”, afirmou.

Para o ministro, a integração das diferentes etapas da cadeia produtiva é fundamental para sustentar a competitividade brasileira. “Quanto mais integrada estiver a cadeia, maior será nossa capacidade de competir no mundo e contribuir para o desenvolvimento do país.”

A avaliação reforça o próprio eixo central do congresso: aproximar produção, indústria, serviços e mercado financeiro para ampliar a capacidade de resposta do agro diante das transformações da economia global.

Previsibilidade entra na pauta

A defesa de uma política de Estado para o agronegócio também ganhou espaço entre os parlamentares.
A senadora Tereza Cristina defendeu que o próximo governo trate o setor como uma agenda permanente, com previsibilidade e segurança jurídica para os investimentos. Na mesma direção, o deputado federal Arnaldo Jardim afirmou que a resiliência demonstrada pelo agro brasileiro precisa ser transformada em uma estratégia de longo prazo, sustentada por políticas de Estado.

A discussão ganha relevância em um ambiente internacional marcado por mudanças nas relações comerciais, disputas geopolíticas, novas exigências ambientais e crescente preocupação com segurança alimentar e energética.

Para o setor, a consolidação do Brasil como potência agroindustrial dependerá não apenas da capacidade de produzir mais, mas também de transformar eficiência produtiva em valor agregado, ampliar mercados e criar condições para investimentos de longo prazo.

A abertura da edição de 25 anos do CBA reuniu ainda Geraldo Melo Filho, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Antonio Mello Alvarenga Neto, presidente da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA); Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil; Tirso de Salles Meirelles, presidente da FAESP/SENAR; Silvia Massruhá, presidente da Embrapa; e Tania Zanella, presidente da OCB e do Instituto Pensar Agro (IPA).

Você está em
Texto 100%