O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou, na terça-feira (16), em São Paulo (SP), do Veja Fórum Agro 2026. O encontro reuniu autoridades, representantes do setor produtivo e especialistas para discutir perspectivas para o agronegócio brasileiro, com foco em comércio internacional, crédito rural, inovação tecnológica, produtividade e políticas públicas para o setor.
Durante o painel “Novas oportunidades para o agro brasileiro”, André de Paula destacou o peso da agropecuária na economia nacional. Segundo o ministro, o setor responde por 49,5% da pauta de exportações brasileiras, reúne cerca de 32 milhões de empregos e registrou crescimento de 11,7% no Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado. “É um setor responsável por 49,5% da pauta de exportações brasileiras, por cerca de 32 milhões de empregos e fundamental para o equilíbrio da economia do país”, afirmou.
Comércio exterior
Na agenda de comércio internacional, o ministro informou que o governo alcançou 641 novas aberturas de mercado para produtos do agronegócio brasileiro desde o início da atual gestão. A meta, segundo André de Paula, é chegar a cerca de 700 aberturas até o fim do atual mandato presidencial. Ele também citou a ampliação da rede de adidos agrícolas, que passou de 29 para 40 postos estratégicos no exterior.
O reconhecimento do Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação também foi mencionado pelo ministro como fator de fortalecimento da defesa agropecuária nacional. De acordo com André de Paula, a validação por mercados como China e Rússia amplia as oportunidades para produtos brasileiros no comércio internacional. Ele também citou tratativas com autoridades chinesas sobre o fornecimento de fertilizantes ao Brasil, em meio à preocupação com custos de produção.

China, União Europeia e sustentabilidade
O secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cleber Soares, também participou do painel e abordou a complementaridade das relações comerciais do Brasil com China e União Europeia. Segundo ele, enquanto a China concentra grandes volumes de commodities agrícolas, a União Europeia demanda produtos de maior valor agregado e com padrões elevados de qualidade e sustentabilidade.
Na pauta ambiental, Soares destacou o Plano ABC+ como uma das ferramentas voltadas à mitigação e adaptação às mudanças climáticas na agropecuária. A meta é incorporar 52 milhões de hectares em sistemas produtivos sustentáveis até 2030, incluindo recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta, florestas plantadas e fixação biológica de nitrogênio, com potencial de mitigação estimado em 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente no período.
Acordo Mercosul-UE
O Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia também esteve entre os temas centrais do debate. Após mais de 25 anos de negociações, o acordo reúne cerca de 780 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. Para André de Paula, a medida representa oportunidade para ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro e diversificar as exportações.
“Cerca de cinco mil produtos brasileiros serão impactados por esse acordo. A maioria deles é do agro, e o Brasil está preparado para aproveitar essa oportunidade”, afirmou o ministro. Cleber Soares acrescentou que cadeias como frutas, café, proteínas animais, arroz, suco de laranja, cacau e cafés especiais podem ser beneficiadas pela redução ou eliminação de tarifas previstas no acordo.
O Plano Safra também integrou as discussões do fórum. De acordo com o Mapa, nos três primeiros ciclos do atual governo, foram destinados aproximadamente R$ 1,576 trilhão ao financiamento da agropecuária brasileira. O ministério trabalha na estruturação do próximo plano com foco em ampliar recursos, fortalecer instrumentos de financiamento e dar maior previsibilidade aos produtores rurais, em um cenário marcado por custos financeiros, endividamento no campo, riscos climáticos e volatilidade internacional.
Fonte: Mapa, adaptado pela equipe Feed&Food
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