Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Após semanas de pressão e queda nos preços, o mercado de suínos iniciou junho com sinais consistentes de recuperação. Segundo o boletim semanal da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), a segunda semana do mês foi marcada por uma reação nas cotações do animal vivo, impulsionada principalmente pela combinação de menor oferta nas granjas e maior procura por parte das indústrias frigoríficas.
De acordo com a análise, os preços do quilo vivo voltaram a ganhar fôlego em diversas regiões. Em Minas Gerais, os valores alcançaram R$ 7,00/kg, enquanto em São Paulo as negociações chegaram a R$ 6,90/kg. Já em Santa Catarina, principal estado produtor, o suíno foi comercializado entre R$ 6,80 e R$ 6,90/kg. No Paraná, os preços oscilaram entre R$ 6,70 e R$ 6,80/kg.
Essa recuperação acontece após um mês de maio desafiador, em que o setor enfrentou excesso de oferta e lentidão no consumo interno. Agora, com menor número de animais prontos para abate, frigoríficos demonstram maior interesse na compra, o que tem pressionado positivamente os preços nas principais praças.

Além do ajuste na oferta e da melhora gradual na demanda, outro fator que trouxe alívio para os produtores foi a recente queda nos preços dos principais insumos da alimentação animal. O milho, que representa boa parte dos custos de produção, vem registrando recuos significativos. De acordo com o boletim da ABCS, em Campinas (SP), a saca de milho recuou 4,31% na comparação semanal, cotada a R$ 56,26. Já na região de Sorriso (MT), a queda foi ainda mais expressiva, de 5,32%, com a saca negociada a R$ 32,90.
O farelo de soja, outro componente essencial na formulação das rações, também apresentou baixa. Em Campinas, o preço recuou 2,08% na semana, ficando em R$ 1.784,68 a tonelada. A redução nos custos com alimentação traz um alívio importante aos suinocultores, que continuam operando com margens apertadas, mas agora vislumbram um cenário um pouco mais favorável.
A ABCS destaca que, além da melhora nas condições internas, as exportações de carne suína seguem com desempenho positivo, o que ajuda a sustentar a demanda e dar mais equilíbrio ao mercado. Frigoríficos relatam maior agilidade na compra dos lotes e alguns produtores já negociam antecipadamente os animais para as próximas semanas.
Para o curto prazo, a expectativa da entidade é de que o mercado continue com viés de alta, impulsionado pela combinação de oferta ajustada, demanda firme no mercado interno, exportações regulares e alívio nos custos de produção. No entanto, a ABCS reforça que os produtores devem seguir atentos às movimentações de mercado e à gestão de custos, principalmente diante da volatilidade dos preços de grãos e da carne.
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