O crédito rural é um dos principais instrumentos de apoio à produção agropecuária no Brasil, indo além de uma fonte de financiamento, mas também uma ferramenta estratégica para garantir a segurança alimentar, o abastecimento interno e a competitividade do país no mercado internacional. Nesse contexto, o crédito assume papel ainda mais relevante, pois viabiliza desde o custeio da produção até investimentos em infraestrutura, logística, aquisição de máquinas e equipamentos, insumos, capacitação, tecnologia e sustentabilidade. A agropecuária brasileira, depende fortemente de recursos financeiros para manter suas operações, que abastecem diretamente a mesa, a vestimenta e os carros movidos a biocombustíveis.
Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a demanda anual de financiamento aos produtores rurais é de R$ 1,3 trilhão por ano. Através do governo federal há o Plano Safra, com programas como o Pronaf, voltado à agricultura familiar, e o Pronamp, destinado a médios produtores. Na safra 2025/26, o Plano Safra disponibilizou um montante de R$ 594,4 bilhões, sendo 516,2 bilhões destinados à agricultura empresarial com taxas de juros que variam de 8,5% a 14% ao ano, e 78,4 bilhões destinados à agricultura familiar, com juros de 0,5% a 8% ao ano, dependendo da linha e do perfil do produto. No caso da agricultura familiar, para a produção de alimentos da cesta básica e atividades sustentáveis na pecuária, as taxas mais baixas foram mantidas, de 3% para financiar a produção de alimentos, como arroz, feijão, mandioca, frutas, verduras, ovos e leite – e 2% quando o cultivo for orgânico ou agroecológico, como forma de incentivar práticas responsáveis e para o abastecimento nacional.
O agronegócio brasileiro enfrenta um grande desafio que é a alta da taxa Selic, que atingiu 15% e elevou o custo do crédito, tornando o financiamento ainda mais caro, especialmente para produtores que não se enquadram nas linhas subsidiadas, que responde pela maior parte da produção agropecuária. Além disso, o endividamento rural tem crescido, o que pode limitar novos financiamentos. As questões regulatórias também podem dificultar o acesso ao crédito, com a exigência de diversos documentos como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de outros, caso existam pendências de regularidades.
Leia a coluna completa na edição 223 da revista Feed&Food

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