A relação histórica do Brasil com a Europa sempre foi marcada por assimetrias estruturais que remontam ao período colonial e seguem influenciando a inserção do país no comércio internacional. A especialização produtiva em bens primários consolidou, ao longo do tempo, uma posição periférica nas cadeias globais de valor, com reflexos persistentes sobre o desenvolvimento industrial e tecnológico. No ano passado, a corrente de comércio entre o Brasil e a União Europeia superou 100 bilhões de dólares, muito embora o déficit brasileiro contabilizou cerca de 500 milhões de dólares (segundo SECEX, UM/Comtrade e Banco Mundial).
Nesse contexto, a formalização do acordo (assinado no dia 19 do mês passado em Assunción/Paraguai) de eliminação gradual de tarifas de aproximadamente 90% das exportações entre o Mercosul e a União Europeia deve ser compreendida como um marco relevante, muito embora, seus impactos exijam análise cuidadosa, sobretudo sobre o setor das proteínas animais, já que surge em um ambiente internacional caracterizado pela reorganização das cadeias globais de suprimento, intensificação das disputas geopolíticas e crescente centralidade de temas como segurança alimentar, sustentabilidade, rastreabilidade e bem-estar animal.
Do lado de lá do Atlântico, os ganhos devem concentrar-se, sobretudo, em âmbito industrial (automobilístico, químico, farmacêutico, etc.) e de serviços de alto valor agregado (financeiros, logísticos, etc.), apesar de impor desafios moderados ao agronegócio europeu (produtores de carnes bovina, frango, açúcar, etanol, etc.) por causa dos supercompetitivos produtos do lado de cá.
Leia a coluna completa na edição 226 da revista Feed&Food.

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