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Tensões no Oriente Médio ameaçam exportações de milho brasileiro

Conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel pode reduzir embarques do cereal e aumentar a oferta no mercado interno

exportação milho Brasil

A escalada das tensões no Oriente Médio pode gerar impactos diretos nas exportações brasileiras de milho. O Irã consolidou-se nos últimos anos como um dos principais compradores do cereal nacional, e eventuais dificuldades comerciais decorrentes do conflito podem alterar o fluxo das vendas externas.

Em 2025, o país do Oriente Médio adquiriu cerca de nove milhões de toneladas de milho do Brasil, respondendo por aproximadamente 22% dos embarques do grão. No início de 2026, a participação iraniana nas compras brasileiras chegou a cerca de 30% do volume exportado em janeiro.

Com a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, especialistas avaliam que as exportações para o mercado iraniano podem enfrentar obstáculos logísticos e comerciais. Esse cenário tende a provocar reflexos no equilíbrio entre oferta e demanda do cereal no Brasil.

De acordo com o analista de mercado de grãos da Datagro, Gabriel Bastos, eventuais dificuldades de embarque podem resultar em maior disponibilidade de milho no mercado interno. A perspectiva ocorre em um contexto de produção elevada, com estimativa de safra próxima de 141 milhões de toneladas.

exportação milho Brasil
Milho brasileiro ganha destaque no mercado internacional, mas tensões geopolíticas podem alterar o fluxo das exportações do cereal. Crédito: Reprodução

Segundo o analista, desse volume total, cerca de 45 milhões de toneladas estão projetadas para exportação. Caso parte dessas vendas seja comprometida, o excedente pode pressionar os preços domésticos do cereal.

“Com essa sobreoferta, a tendência é que as cotações internas sofram um pouco e tenham um viés mais baixista”, afirma Bastos.

Além do impacto direto nas exportações, o agravamento do conflito também pode afetar a logística global. Alterações nas rotas comerciais, custos de frete e operações portuárias na região podem reduzir o ritmo das negociações internacionais.

Diante desse cenário, o mercado acompanha atentamente os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio, já que eventuais restrições comerciais ou logísticas podem alterar o destino de parte da produção brasileira e influenciar a dinâmica de preços do milho no país.

Fonte: Adaptado pela equipe Feed&Food

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