A pecuária de corte brasileira passou por um salto estrutural nas últimas duas décadas, impulsionada por avanços em genética, manejo, nutrição, sanidade e uso estratégico das pastagens. Para Michelle Borges, gerente Executiva da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, o setor viveu uma “transformação tecnológica e produtiva” que permitiu elevar substancialmente o desempenho sem ampliar a área ocupada. “A pecuária de corte brasileira aumentou a produtividade em quase 150%, mais do que dobrando a produção de carne em uma área de pastagens cerca de 16% menor”, afirma. Essa eficiência evidencia, segundo ela, o potencial que o setor tem e pode aumentar, significativamente, com uso correto das informações, tecnologias, manejo, além da recuperação de áreas degradadas – produzindo mais sem desmatamento.
Michelle destaca que a intensificação sustentável tornou-se a base do sistema moderno: correção e adubação do solo, rotação de pastagens, ajuste de lotação, genética mais eficiente e dietas balanceadas gestão e monitoramento da propriedade e da produção resultam no impulsionamento da produtividade e diminuição das emissões de GEE. “Essas atividades — manejo de pastagens, genética e nutrição, conjuntamente com uma boa gestão de dados,— formam um sistema mais produtivo, previsível e ambientalmente eficiente”, avalia. Ela reforça ainda o papel crescente da ILPF, da rastreabilidade e de instrumentos econômicos que valorizam bons resultados ambientais.
Na outra ponta da cadeia, quem vivencia as mudanças no campo confirma essa evolução. Pecuarista em Torixoréu (MT), engenheiro agrônomo e integrante do Comitê Gestor da Pecuária Tropical pelo Clima, Raul Almeida Moraes observa que as bases científicas da produção mudaram profundamente. “Houve avanços muito importantes nos últimos 20 anos. Evoluímos em manejo, sanidade, genética, nutrição e bem-estar animal”, resume. Para ele, o impacto das tecnologias digitais — sensores, monitoramento remoto e ferramentas de gestão — tem ampliado a capacidade de decisão.
Leia a matéria completa na edição 224 da revista Feed&Food.

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