O tabelamento de fretes rodoviários da Agência Nacional de Transportes Terrestres tem provocado distorções no mercado logístico agrícola e tende a ampliar a pressão sobre o escoamento de grãos no início de 2026. O alerta foi feito pela Companhia Nacional de Abastecimento em seu Boletim Logístico mais recente, destacando que a medida passa a vigorar em um momento decisivo da safra, marcado por estoques elevados e necessidade de liberar capacidade nos armazéns.
Segundo a Conab, o mercado de fretes registrou movimento relativamente estável em novembro, mas já apresenta efeitos do tabelamento em importantes regiões produtoras. Em Mato Grosso, por exemplo, a interferência na formação de preços durante a entressafra tem reduzido a fluidez logística e direcionado parte dos caminhões para rotas específicas, com maior concentração de cargas em trajetos mais curtos.
O cenário é considerado ainda mais sensível pelo volume expressivo de milho que precisa ser escoado no estado no início do ano. A estatal avalia que grande parte dessa movimentação deve ocorrer entre janeiro e fevereiro, período que coincide com a intensificação da colheita de soja. A combinação desses fatores pode gerar gargalos adicionais, aumento de custos e maior pressão sobre a disponibilidade de transporte.

Situação semelhante é observada em outros estados do Centro-Oeste. Em Goiás, mesmo com queda pontual nos fretes em novembro, o atraso e posterior concentração da colheita de soja devem comprimir a janela logística, aumentando a demanda por transporte em curto intervalo de tempo. A Conab destaca que esse quadro tende a elevar a pressão sobre os valores e sobre a oferta de caminhões.
Apesar dos ajustes e das tensões comerciais em nível internacional, a Conab não trabalha com risco de paralisações no setor de transportes. A avaliação é de que, mesmo com insatisfações pontuais, o tabelamento historicamente integra as demandas dos transportadores e, aliado a um ambiente de demanda firme no mercado interno e externo, deve permitir a continuidade do escoamento.
Em outras regiões, o comportamento também foi diverso no fim de 2025. No Distrito Federal, os fretes recuaram, mas a expectativa é de retomada gradual com o avanço da safra. No Matopiba, houve sustentação em rotas ligadas a portos em estados como Bahia, enquanto Maranhão e Piauí registraram menor movimentação. No Sul, o Paraná apresentou demanda mais moderada, reflexo de comercialização antecipada, embora o cenário possa se alterar com o avanço da nova temporada.
A Conab lembra que o pano de fundo desse quadro é uma safra volumosa, com estimativa de produção nacional superior a trezentos e cinquenta milhões de toneladas de grãos em 2025/26. Diante desse volume e das restrições geradas pelo tabelamento, a estatal projeta que os fretes rodoviários permaneçam relativamente elevados, com pressão concentrada sobretudo nos meses de janeiro e fevereiro de 2026.
Fonte: Conab , adaptado pela equipe Feed&Food.
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