O mercado avícola do Iêmen enfrenta uma queda acentuada na demanda nas últimas semanas, após relatos da mídia local levantarem suspeitas sobre falhas na fiscalização sanitária e possível uso de substâncias impróprias na criação de frangos de corte. A preocupação dos consumidores provocou retração no consumo e pressionou os preços da carne de frango no país.
De acordo com a publicação local Al-Mashad Al-Yemeni, o preço médio do frango caiu quase 20% em poucos dias. Proprietários de granjas ouvidos pela mídia local relacionam o movimento ao receio da população quanto ao suposto uso de hormônios, medicamentos e substâncias farmacêuticas que poderiam representar risco à saúde humana.
Relatos ampliam preocupação sanitária
As notícias veiculadas no país afirmam que alguns produtores estariam utilizando substâncias associadas a efeitos adversos nas aves, como perda de penas, além de potenciais riscos ao consumidor em casos de exposição prolongada. Entre as preocupações citadas nos relatórios estão possíveis impactos relacionados a doenças cardiovasculares e câncer, embora as informações tenham sido apresentadas com base em relatos e fontes anônimas.
Um dos relatórios menciona o suposto uso de produtos como Gribozone, indicado para auxiliar o sistema respiratório de frangos criados em ambientes superlotados e com baixa ventilação, além de Newson, medicamento que contém sulfadimidina. A mesma fonte também aponta o uso de antibióticos como Lavicol, Doximis 50 e Medicalin em algumas granjas.
Diante da repercussão, os relatórios passaram a cobrar maior rigor das autoridades veterinárias e sanitárias. A principal preocupação é garantir que os produtos avícolas destinados ao consumo interno sejam fiscalizados com mais regularidade e cheguem ao mercado sem riscos à saúde da população.

Setor nega uso irregular
Produtores rurais e organizações empresariais locais rejeitaram as acusações e afirmaram que as aves comercializadas no país seguem padrões de qualidade. A Câmara de Comércio Houthi classificou os relatos sobre uso generalizado de substâncias perigosas como infundados.
Em nota, a entidade afirmou que a avicultura local passa por monitoramento contínuo das autoridades competentes e que vacinas e medicamentos veterinários são utilizados conforme requisitos técnicos aprovados, com acompanhamento de especialistas.
A controvérsia também ganhou repercussão em outros países da região. No Egito, o Ministério da Agricultura divulgou comunicado para reforçar que a produção avícola nacional não utiliza hormônios ou promotores de crescimento. Ahmed Rizk, chefe do setor de serviços do ministério, afirmou que o crescimento mais rápido dos frangos de corte está relacionado a avanços na qualidade da ração e na genética das aves.
Fonte: Ministério da Agricultura do Egito, adaptado pela equipe Feed&Food
LEIA TAMBÉM
Milho ganha atenção em regra do Mapa para liberação de estoques públicos
Fertilizantes mais caros pressionam custos da safra 2026/2027
Potencial do Brasil em One Health será destaque na Bio Convention





