Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Os mercados de soja e milho no Brasil seguem caminhos opostos nas últimas semanas, conforme apontam as análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Enquanto o grão de soja mantém os preços firmes, sustentado por uma demanda interna ativa e por limitações na oferta, o milho segue registrando quedas, reflexo da previsão de uma produção elevada no país e também no cenário internacional.
No caso da soja, a procura por parte de indústrias domésticas e de exportadores continua consistente, o que contribui para segurar os valores do grão nos portos e nas principais regiões produtoras. O Indicador CEPEA/ESALQ Paranaguá (PR) acumula pequena valorização nos últimos dias, refletindo esse cenário de firmeza. Por outro lado, os derivados da soja, como farelo e óleo, têm apresentado queda nas cotações. De acordo com o Cepea, a menor atratividade das exportações desses produtos e o ritmo mais lento de compras pelas indústrias domésticas são os principais fatores para esse movimento de baixa.

Já no mercado de milho, o avanço da colheita da segunda safra no Brasil e as boas perspectivas para a produção nos Estados Unidos têm pressionado os preços internos. Com uma oferta abundante no horizonte e a demanda doméstica mais contida, os valores do cereal seguem em trajetória de recuo. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas/SP) acumula queda consistente, refletindo o excesso de oferta.
O Cepea destaca que os produtores brasileiros de milho, atentos ao cenário de baixa, têm retardado as negociações na tentativa de conter a pressão vendedora. No entanto, o volume disponível e as boas expectativas para a conclusão da safra dificultam uma recuperação de preços no curto prazo.
Esse contraste entre os mercados de soja e milho reflete os diferentes fundamentos de oferta e demanda que impactam as principais commodities agrícolas do país, exigindo atenção redobrada dos agentes de mercado nas estratégias de comercialização.
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