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SNDS 2025: Sanidade, inovação e união marcam apresentação de Charli Ludtke

Diretora técnica comercial da ABCS destacou o papel da Estação Quarentenária de Cananéia e lançou materiais sobre bem-estar animal e uso prudente de antibióticos

SNDS

Camila Santos, de Bento Gonçalves (RS)

No Seminário Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (SNDS), realizado em Bento Gonçalves (RS), a diretora técnica comercial da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Charli Ludtke, apresentou um balanço das principais iniciativas técnicas da entidade nos últimos meses, reforçando o compromisso do setor com a sanidade, o bem-estar animal e a inovação contínua.

De forma descontraída, Charli abriu sua fala agradecendo à equipe da associação, ressaltando a dedicação de profissionais que, mesmo em um time enxuto, conseguem entregar grandes resultados. “Nós somos poucos, mas fazemos muito porque temos paixão pela suinocultura. Não existe tempo ruim: se é preciso pegar o último voo ou acordar cedo para representar o setor, estamos prontos. Esse espírito de união é a essência da nossa ‘senhorinha’ ABCS de 70 anos”, afirma.

A defesa da sanidade como patrimônio nacional

Entre os destaques de sua apresentação, Charli relembrou a criação da Estação Quarentenária de Cananéia (EQC), no litoral de São Paulo, estrutura considerada estratégica para proteger o rebanho suíno brasileiro da entrada de enfermidades de alto impacto econômico.

O projeto nasceu em 2013, quando a suinocultura mundial enfrentava o avanço da Diarreia Epidêmica Suína (PEDv) nos Estados Unidos. Naquele momento, a ABCS, em parceria com a Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (ABEGS) e o Ministério da Agricultura, estruturou um sistema de biosseguridade robusto no país.

“Era preciso agir rápido, porque o risco era enorme. Importamos muitos reprodutores dos Estados Unidos e do Canadá e não podíamos permitir que doenças ameaçassem nosso plantel. A solução foi transformar a ilha de Cananéia em um quarentenário oficial, referência internacional em segurança sanitária”, destaca.

A EQC conta hoje com quatro sítios de alojamento, ampliados inclusive durante a pandemia, e mantém monitoramento constante de auditores do MAPA e veterinários das empresas de genética. Cada reprodutor importado passa por rigorosos exames antes de ser liberado para granjas em diferentes regiões do Brasil. “Esse é um trabalho de bastidores que, muitas vezes, passa despercebido, mas que garante a saúde do nosso rebanho e a credibilidade da carne suína brasileira nos mercados internacionais. Graças a esse sistema, estamos cada vez mais próximos de consolidar o Brasil como grande exportador de material genético”, reforça Charli no palco do SNDS.

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Charli Ludtke apresentou um balanço das principais iniciativas técnicas da entidade nos últimos meses (Foto: FeedFood)

Bem-estar animal e uso responsável de antibióticos

A diretora também apresentou os novos manuais técnicos desenvolvidos pela ABCS em parceria com agroindústrias, pesquisadores e empresas do setor. Entre eles, destacam-se os guias sobre bem-estar animal nas granjas e o uso prudente de antibióticos, elaborados em consonância com a Instrução Normativa 113.

Segundo Charli, o objetivo é orientar produtores e técnicos para práticas que garantam saúde, produtividade e sustentabilidade. “O uso responsável não significa retirar os antibióticos, mas aplicá-los de forma racional, priorizando medidas preventivas como vacinação e biosseguridade. Isso é fundamental para manter a eficácia dessas moléculas preciosas tanto para a saúde animal quanto para a saúde humana”, explica.

Ela fez questão de reconhecer o trabalho de especialistas envolvidos na produção do material, como o médico-veterinário Maurício Dutra e a professora Andréia Miki Moreno. “São profissionais que têm feito um trabalho brilhante, compartilhando conhecimento e ajudando a consolidar práticas cada vez mais responsáveis na nossa cadeia”, diz.

No SNDS – Um setor unido e competitivo

Charli ressaltou ainda que os manuais só foram possíveis graças à união do setor, que abriu as portas de granjas e agroindústrias para compartilhar informações, imagens e práticas de manejo. “É esse espírito de colaboração que faz da suinocultura brasileira uma referência mundial. Quando dividimos experiências, todos ganham, porque somos um único setor”, afirma a diretora em sua apresentação no SNDS.

Charli deixou uma mensagem de otimismo sobre o futuro da suinocultura nacional. “Estamos muito perto de consolidar o Brasil como terceiro maior exportador de carne suína do mundo. Isso é fruto de trabalho coletivo, da dedicação de cada elo da cadeia e do compromisso com a qualidade e a sanidade. A suinocultura brasileira é competitiva, inovadora e humana, porque coloca as pessoas e os animais no centro de sua evolução”.

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