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Setor de alimentação animal cresce 5,2% no primeiro semestre

Estimativa aponta uma produção de 39 milhões de toneladas no período

confinamento

Os dados relativos ao setor de alimentos para animais registraram uma alta de 5,2% no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a 39 milhões de toneladas. O resultado foi divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

Momento desafiador

Desafios, como a alta do dólar, forte período de estiagem, geadas e a alta do milho e soja comprometeram desempenho. Uma tentativa de mitigar os impactos, segundo o Sindicato, foi  a Resolução Normativa da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança/CTNBio, que autorizou a importação de milho geneticamente modificado dos Estados Unidos, desde que seja mais barato daquele colhido internamente. No entanto, a iniciativa ainda não surtiu efeito na prática, e o setor continua demandando desoneração dos impostos ainda incidentes no desembaraço aduaneiro e no transporte/comercialização do cereal.

“Apesar dos tantos desafios impostos, a indústria brasileira de alimentação animal mantém firme seu compromisso de abastecer suficientemente, produzir mais com menos, garantir a resiliência e a produtividade e otimizar os recursos ambientais, justificando assim, sua essencial contribuição na solução de uma cadeia produtiva de proteína animal cada vez mais sustentável”, disse Ariovaldo Zani, presidente do Sindirações em análise divulgada pelo Sindicato.

Análise do mercado de grãos

Em sua análise, profissional pontua que a CONAB estima montante de milho (estoque de passagem de mais de 11 milhões de toneladas do período anterior + produção de aproximadamente 87 milhões de toneladas pelas três safras desse ciclo) para atendimento das necessidades internas em curso (demanda de 55 milhões de toneladas para as cadeias produtivas alimentar animal e energética e outros 12 milhões de toneladas destinadas à indústria, auto consumo, sementes e perdas dentro da porteira e no transporte). O efeito dos fatores climáticos extremos (estiagem e geadas) abateu a produtividade das lavouras e resultaram saldo aritmético de mais de 30 milhões de toneladas disponíveis para exportação, e deve inclusive determinar a importação de ao menos 2,5 milhões de toneladas do cereal.”

“Essa ajustadíssima contabilidade para abastecimento turbinou a escalada dos preços e culminou em abril na publicação pelo Comitê Executivo de Gestão/GECEX da Câmara de Comércio Exterior/CAMEX da Resolução 189, ato que zerou novamente e até o final do ano corrente, as tarifas de importação do milho e da soja, farelo e óleo, oriundos de fora do Mercosul. A decisão atendeu à recomendação do próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento/MAPA, que inclusive, vem abonando outro peticionamento do setor privado, voltado à desoneração temporária do PIS e da COFINS na comercialização do milho que abasteceria a pecuária local exclusivamente”, ressalta.

Zani também cita a Resolução Normativa da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança/CTNBio autorizou a importação de milho geneticamente modificado dos Estados Unidos, muito embora, ainda não tenha contribuído para aliviar os avicultores e suinocultores independentes, produtores de leite, confinadores, etc., que verbalizam estar “pagando para trabalhar.

Além disso, segundo ele, as associações e entidades representativas tem convergido diligentemente aos projetos da Embrapa para otimização da cultura dos cereais de inverno (trigo, triticale, cevada, aveia) que podem alternativamente substituir boa parte do milho, muito embora, as lavouras concentradas regionalmente e suas respectivas capacidades quantitativas, possam desafiar a viabilidade operacional da operação que vai requerer investimentos em logística e estrutura para recepção, segregação e controle físico desses insumos adicionais nas fábricas.

“Apesar dos esforços voltados às soluções de impacto imediato, revela-se compulsório exortar as interfaces públicas e privadas em relação aos desafios de médio e longo prazo, tais como a revisão profunda do modal de transporte, predominantemente rodoviário, que deverá incluir melhores perspectivas e alternativas profissionais para os caminhoneiros. Outro gargalo preocupante reside na capacidade estática de armazenamento, inferior à produção de grãos, e que segue cada vez mais distante da ideal. Nesse ano corrente, o déficit deverá superar 30%, ou seja, dos potenciais 254 milhões de toneladas produzidas poderão ser armazenados 174 milhões”, complementa.

Avanços na agricultura

A agricultura continua avançando e acumulando recordes na receita apurada (firmada nas cotações internacionais) e na quantidade exportada (garantida pela forte demanda externa). O preço do farelo de soja subiu quase 40% e do milho quase dobrou nos últimos doze meses (ano passado custava R$ 1761,00/tonelada e R$ 50,00/saca 60kg, e em junho/21 R$ 2422,00/tonelada e R$ 97,00/saca 60kg, respectivamente) e a influência desses ajustes no custo da ração para frangos e suínos beirou 75%.

Pecuária pressionada

Já a pecuária, por sua vez, principalmente daqueles que comercializam total ou majoritariamente no mercado local, segue pressionada por esses custos proibitivos dos insumos (milho, farelo de soja e aditivos importados) e impedida de repassar integralmente esse ônus aos preços da proteína animal (carnes, leite e ovos) que nutre os depauperados consumidores locais.

Fonte: Sindirações, adaptado pela equipe feed&food.

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