A França prepara um pacote de centenas de milhões de euros em indenizações a produtores rurais após o calor extremo e a seca provocarem perdas em lavouras, pastagens e reservas de água durante o verão de 2026. Os detalhes das medidas devem ser divulgados pelo governo francês nesta semana.
Cerca de 65% do território francês enfrentou condições severas de seca, enquanto 60% das reservas subterrâneas de água estavam abaixo dos níveis considerados normais. Julho teve temperatura média de 24,9°C, 3,8°C acima da normal e a maior já registrada no país desde o início das medições, em 1900.
Pastagens perdem 36% do crescimento
Os impactos alcançam diretamente a pecuária. Até 20 de agosto, o crescimento acumulado das pastagens permanentes estava 36% abaixo da média observada entre 1989 e 2018. Segundo o serviço estatístico agrícola francês Agreste, todas as regiões do país apresentavam déficit, após três meses marcados por falta de água e sucessivas ondas de calor.

Mais da metade das áreas de pastagem apresentava degradação severa em diversas regiões, reduzindo a disponibilidade de alimento produzido diretamente no campo para os rebanhos.
Milho pode ter menor safra desde 1980
A produção de milho grão também foi afetada. A estimativa oficial mais recente do Agreste aponta colheita de 9 milhões de toneladas em 2026, queda de 35% frente ao ano anterior e possível menor volume desde 1980. O rendimento médio é projetado em 70,3 sacas métricas por hectare, pressionado pela seca e pelas temperaturas elevadas.
Já a produção de milho forrageiro pode cair cerca de 30%, segundo informações do Ministério da Agricultura francês divulgadas pela Reuters. O cereal é utilizado diretamente na alimentação dos rebanhos, aumentando a relevância das perdas para a pecuária local.



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