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Saúde intestinal da matriz: o impacto direto no comportamento e na leitegada

Caroline Mendes, de Pirassununga (SP)

“A indústria muitas vezes utiliza uma única cepa, mas a complexidade da microbiota exige blends com diferentes micro-organismos para resultados mais efetivos” – professor Cesar Garbossa

Durante o Encontro Técnico ABRAVES-SP, realizado em Pirassununga, o professor Cesar Garbossa abordou um tema central para a suinocultura moderna: como melhorar a saúde intestinal da matriz com foco na leitegada. Segundo Garbossa, o manejo da microbiota intestinal e o uso estratégico de nutrientes podem influenciar não apenas a saúde das fêmeas, mas também o comportamento e a qualidade dos leitões.

Um dos pontos destacados foi a importância de diversificar a abordagem em relação aos probióticos. “A indústria muitas vezes utiliza uma única cepa, mas a complexidade da microbiota exige blends com diferentes micro-organismos para resultados mais efetivos”, explicou o professor. Ele reforçou que a diversidade é crucial para atacar diferentes mecanismos de ação e favorecer a saúde intestinal de maneira mais ampla.

Garbossa também comentou sobre o uso de fibras na dieta das matrizes. A inclusão de fibras pode proporcionar maior saciedade, influenciar positivamente o comportamento das fêmeas e impactar diretamente o desenvolvimento dos leitões. “Fêmeas menos estressadas e mais saciadas durante a gestação tendem a gerar leitões com melhor comportamento pós-nascimento”, afirmou. Além disso, o uso correto de fibras pode reduzir constipação, estabilizar a glicemia e até diminuir a duração do parto, beneficiando a qualidade da leitegada.

Outro ponto discutido foi o uso indiscriminado de antimicrobianos, como antibióticos e óxido de zinco, que podem eliminar não apenas patógenos, mas também micro-organismos benéficos da flora intestinal. Garbossa destacou que estratégias preventivas, como pré-bióticos, pós-bióticos e simbióticos, precisam ser aplicadas de forma cuidadosa, considerando o tempo necessário para que as mudanças na microbiota realmente se consolidem.

O professor ressaltou ainda a complexidade da aplicação prática dessas estratégias. “Não existe resposta mágica. Cada fase fisiológica da matriz exige manejo específico, e a eficácia depende muito do contexto da granja e da condição sanitária dos animais”, explicou. Ele citou estudos recentes mostrando que combinações inadequadas, como óxido de zinco com probiótico, podem gerar resultados inferiores, reforçando a necessidade de ajustes finos e monitoramento constante.

Para Garbossa, o equilíbrio entre dietas simples e complexas também é determinante. Em muitos casos, dietas simples associadas a aditivos funcionais, como plasma ou proteases, têm mostrado bons resultados, desde que aplicadas com conhecimento profundo do ambiente de produção e das necessidades fisiológicas das matrizes.

O debate reforçou que melhorar a saúde intestinal da matriz vai muito além da suplementação isolada: envolve entender a microbiota, modular a imunidade, otimizar a alimentação e adaptar estratégias ao ciclo fisiológico e ao contexto sanitário da granja, garantindo que a leitegada chegue mais saudável e com maior desempenho.

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