A safra brasileira de milho 2025/26 inicia o ciclo com balanço mais apertado entre oferta e demanda. A estimativa de produção é de 137,5 milhões de toneladas, abaixo das 141 milhões registradas na temporada anterior. Ao mesmo tempo, o consumo total deve avançar para 141,8 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pela indústria de etanol de milho e pela cadeia de proteína animal.
O ponto central não está apenas na redução do volume, mas na menor margem de segurança do sistema. O estoque final projetado recua de 10,8 milhões para cerca de 8,2 milhões de toneladas, o equivalente a aproximadamente 6% do consumo total. Historicamente, esse patamar reduz a capacidade de absorver perdas produtivas adicionais sem impacto relevante na formação de preços.
A segunda safra, responsável por quase 80% da produção nacional e estimada em 108,3 milhões de toneladas, começa a ser implantada sob influência de atrasos no calendário agrícola. O plantio tardio da soja e o excesso de chuvas têm dificultado a colheita e comprimido a janela ideal para a semeadura do milho.

No Centro-Oeste, principal região produtora, o desafio atual é operacional. O volume de chuvas não indica deterioração climática significativa, mas dificulta a entrada de máquinas no campo e compromete o ritmo de plantio. Estados como Goiás e Mato Grosso do Sul apresentam maior exposição ao atraso, enquanto Mato Grosso segue como principal sustentação do equilíbrio nacional.
Com estoque mais ajustado, o mercado passa a reagir com maior sensibilidade a qualquer desvio produtivo. Uma eventual perda de 5% na segunda safra representaria redução próxima de 5 milhões de toneladas, volume suficiente para alterar o balanço interno e pressionar as cotações.
Além do cenário doméstico, variáveis externas também entram na equação. A movimentação cambial pode influenciar a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional, afetando o ritmo das exportações. No campo climático, a possibilidade de transição para El Niño no segundo semestre adiciona fator de variabilidade regional, especialmente se coincidir com plantio fora da janela ideal.
Com demanda crescente da indústria de etanol e do setor de proteína animal, o milho inicia 2025/26 com suporte estrutural mais firme. Em um ambiente de menor folga nos estoques, o mercado tende a responder de forma mais rápida a qualquer sinal de quebra produtiva ou ajuste na oferta.
Fonte: Biond Agro, adaptado pela equipe Feed&Food
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