O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é apontado como um dos tratados mais relevantes para o agronegócio brasileiro nas últimas décadas. Pela dimensão econômica dos blocos envolvidos, o texto cria novas possibilidades para exportações agropecuárias, incluindo carnes, grãos e produtos de maior valor agregado, ao mesmo tempo em que amplia o nível de exigência técnica e regulatória para acesso ao mercado europeu.
Para países do Mercosul, o principal potencial está na expansão das vendas externas de produtos agropecuários. No caso da proteína animal, a abertura gradual de cotas e a previsibilidade comercial podem fortalecer a presença de carnes bovina, suína e de frango no mercado europeu, tradicionalmente exigente em critérios sanitários e ambientais.
Por outro lado, o acordo não configura uma zona de livre comércio plena. Produtores europeus, especialmente em países como França, Irlanda e Polônia, manifestaram preocupação com a concorrência sul-americana. Como resposta, foram incluídas cláusulas de salvaguarda que permitem proteção temporária caso haja impacto relevante sobre setores locais.
Entre os principais pontos de atenção para o agro estão os padrões ambientais e sanitários. A União Europeia mantém regras rigorosas relacionadas à sustentabilidade, bem-estar animal, rastreabilidade e segurança alimentar. Para a cadeia de proteína animal brasileira, isso significa ampliar controles, fortalecer certificações e garantir conformidade em todas as etapas da produção.

Outro eixo relevante envolve competitividade e custos de produção. Diferenças regulatórias e exigências adicionais podem gerar aumento de custos para exportadores do Mercosul. A adequação a métricas ambientais e sistemas de monitoramento tende a exigir investimento em tecnologia, gestão de dados e qualificação técnica.
A rastreabilidade ganha protagonismo nesse cenário. O acompanhamento detalhado da origem da produção, uso de insumos e cumprimento de normas socioambientais passa a ser condição estratégica para manutenção e ampliação de mercados. Para frigoríficos e indústrias exportadoras, a governança da cadeia produtiva se torna diferencial competitivo.
O acordo também impulsiona a necessidade de formação técnica mais especializada. Profissionais ligados ao agronegócio precisarão dominar temas como comércio internacional, regulação sanitária, certificação, métricas de sustentabilidade e gestão de risco. Em um ambiente global mais regulado, conhecimento técnico passa a ser ativo estratégico.
Para o Brasil, o desafio será equilibrar oportunidade e adaptação. A ampliação de mercado pode fortalecer as exportações de proteína animal, mas exigirá alinhamento rigoroso às normas europeias. Em um setor altamente competitivo, a capacidade de atender padrões internacionais com eficiência produtiva será determinante para capturar os benefícios do tratado.
Fonte: Análises de pesquisadores do setor agropecuário, adaptado pela equipe Feed&Food
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