O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, apresentou nesta quinta-feira (20), na programação da Agrizone durante a COP 30, uma análise contundente sobre o papel das proteínas animais na segurança alimentar global. Em sua fala, ele reforçou que o Brasil reúne condições únicas para produzir alimentos de forma eficiente, sustentável e acessível, contribuindo para enfrentar desafios como fome, desperdício e desigualdade no acesso à nutrição. Santin lembrou que “não pode haver fronteiras para os alimentos”, defendendo o comércio internacional como mecanismo para garantir que populações carentes tenham acesso a proteínas de qualidade.
Ao longo da apresentação, destacou-se o avanço tecnológico das cadeias de aves, suínos e ovos, que alcançaram maior produtividade usando menos recursos naturais. ele cita a conversão alimentar média de 1,6 na avicultura, níveis elevados de conservação ambiental nas propriedades e o protagonismo das empresas brasileiras no uso de energias renováveis, biodigestores e modelos circulares de produção. Ele também ressaltou os números da ABPA, que obteve 38,6% de participação global no mercado de carne de frango e 14% na de carne suína, além de mais de 500 mil trabalhadores e 50 mil famílias envolvidas diretamente nesses sistemas produtivos.

Durante a sessão de perguntas, Santin reforçou que a segurança alimentar é condição indispensável para qualquer estratégia climática. Ele afirmou que ainda há 2,6 bilhões de pessoas no mundo sem acesso a uma dieta básica e defendeu que o Brasil tem capacidade de ampliar sua contribuição para reduzir esse cenário. Em resposta a questionamentos sobre perspectivas futuras, explicou que a produção brasileira tem ampliado eficiência, reduzido emissões e adotado práticas de bem-estar animal e conservação que fortalecem o papel do país no abastecimento global.
Ao responder a pergunta feita por Kevin Nascimento, da Feed&Food, sobre tecnologias capazes de reduzir a pegada de carbono da produção, foi destacado que a transformação passa por um conjunto de ferramentas. “A inteligência artificial, a energia eólica, solar e a biodigestão já são uma realidade e vão avançar cada vez mais”, afirmou. Ele explicou que essas tecnologias permitem prever doenças, reduzir desperdícios, otimizar nutrição e transformar resíduos em energia, contribuindo para uma cadeia mais limpa e eficiente.
Santin encerrou reforçando que sustentabilidade e produção responsável não são mais metas futuras, mas práticas enraizadas no setor. Para ele, casos de empresas que reduzem emissões, ampliam geração de energia renovável e recuperam recursos naturais, além de demonstrar a maturidade da cadeia produtiva. “Sustentabilidade parou de ser obrigação e virou cultura. A segurança alimentar depende disso”, concluiu.
Reportagem: Kevin Monteiro do Nascimento – Feed&Food
Fonte: Palestra e sessão de perguntas Ricardo Santin (ABPA)
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