Mesa de Mercado · CEPEA
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Recuperação de áreas degradadas exige crédito e assistência técnica

Programa prevê recuperar 40 milhões de hectares em dez anos, mas entidade aponta necessidade de regras claras e inclusão de pequenos e médios produtores

A recuperação de pastagens degradadas ganhou espaço na agenda da pecuária brasileira com o Programa Caminho Verde Brasil, que estabelece a meta de recuperar até 40 milhões de hectares no país ao longo de dez anos.

A proposta busca ampliar a produtividade agropecuária em áreas já utilizadas, reduzindo a necessidade de abertura de novas áreas. A iniciativa também pretende aproximar produção, conservação ambiental e redução de emissões.

A Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável elaborou recomendações para a implementação do programa. A entidade reconhece a integração com políticas como o Plano ABC+, mas aponta ajustes considerados necessários para que as medidas cheguem às propriedades rurais.

Definições precisam ser esclarecidas

Entre os desafios está a falta de critérios mais objetivos para definir o que caracteriza uma pastagem degradada e quais práticas poderão ser reconhecidas como sustentáveis dentro do programa.

Segundo a entidade, a ausência dessas definições pode gerar insegurança para produtores, agentes financeiros e empresas interessadas em apoiar projetos de recuperação.

Outro ponto envolve o acesso aos instrumentos de incentivo. A Mesa defende que pequenos e médios produtores sejam contemplados por linhas de crédito, assistência técnica e regras compatíveis com diferentes realidades produtivas.

Sem essas condições, existe o risco de os recursos ficarem concentrados em propriedades com maior capacidade de investimento e acesso a financiamento.

Financiamento climático pode apoiar projetos

O documento também destaca a possibilidade de utilizar mecanismos de financiamento climático para ampliar os recursos destinados à recuperação de áreas degradadas.

A aproximação entre produtores, frigoríficos, empresas compradoras e instituições financeiras pode permitir o reconhecimento dos ganhos ambientais obtidos, incluindo redução de emissões, melhoria do solo e maior eficiência no uso da terra.

Para a Mesa, o alcance da meta dependerá de governança, monitoramento, previsibilidade regulatória e diálogo entre governo, produtores e demais participantes da cadeia.

A recuperação de pastagens pode contribuir para elevar a produção pecuária sem expansão territorial, mas os resultados dependerão da capacidade de transformar as metas nacionais em projetos economicamente viáveis no campo.

Confira a matéria completa na edição 230 da Revista Feed&Food

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