Susana Cazerta, Gerente de Serviços ao Cliente na ADM
O fornecimento de rações livres ou com baixos níveis de contaminação microbiológica, é essencial para garantir a segurança dos produtos de origem animal destinados ao consumo humano. Além disso, rações mais seguras do ponto de vista sanitário podem favorecer o desempenho zootécnico dos animais no campo. Para a redução ou eliminação de microrganismos em rações e ingredientes, são utilizados métodos térmicos, químicos ou a combinação de ambos. Entre os tratamentos químicos, os produtos podem ser classificados em dois grupos principais: aqueles que contêm formaldeído em sua composição — geralmente associados a ácidos orgânicos — e aqueles formulados exclusivamente com ácidos orgânicos.
O uso de ácidos orgânicos são amplamente utilizados em mercados como a União Europeia no tratamento de matérias primas e rações.
Naturalmente presentes em alimentos fermentados – como resultados de hidrólises, metabolismo químico e atividade microbiana- os ácidos utilizados em escala industrial, como o fórmico, propiônico, acético e lático, são geralmente obtidos por meio de síntese química ou fermentação microbiológica controlada, o que garante alta pureza e disponibilidade.
Esses compostos, bem como seus sais tem sido empregados há décadas como agente conservante em alimentos, bebidas e produtos farmacêuticos, protegendo-os dos efeitos deletérios do crescimento microbiano e da deterioração natural (Theron & Lues, 2007).
A eficácia dos ácidos orgânicos está relacionada à sua estrutura molecular simples e ao baixo peso molecular, características que lhes permitem atravessar livremente a membrana celular de microrganismos. Em equilíbrio entre as formas dissociada e não dissociada, dependente de pH, sua ação antimicrobiana se dá principalmente pela forma não dissociada, que penetra a célula e, ao se dissociar em um ambiente intracelular de pH mais elevado, libera ânions e prótons. O acúmulo de ânions interfere nas reações metabólicas, enquanto os prótons acidificam o citoplasma. Para restaurar o pH interno, a célula precisa ativar mecanismos de bombeamento de prótons, o que consome ATP e leva à depleção energética — comprometendo o crescimento e a viabilidade celular (Lues & Theron, 2005; Sonja et al. 2017).

Os ácidos orgânicos apresentam propriedades bacteriostáticas e bactericidas, ou seja, podem inibir o crescimento e multiplicação de microrganismos ou mesmo eliminá-los, dependendo da concentração utilizada e do tempo de exposição.
Tratamento das rações e ingredientes com ácido orgânicos tem potencial para reduzir níveis de contaminações por Salmonella nas rações (Koyuncu et al. 2013).
Para o uso eficaz dos ácidos orgânicos na proteção de rações e ingredientes, é essencial considerar:
- A avaliação prévia do nível de contaminação;
- A escolha adequada da dose em função do nível de contaminação;
- O tempo de contato;
- A adoção de boas práticas de fabricação (BPF);
- O monitoramento contínuo dos resultados e ajustes de dosagem conforme necessário;
- As particularidades de cada fábrica, incluindo a qualidade das matérias-primas recebida.
Como o desafio microbiológico pode se alterar ao longo dos meses ou particularidades de cada fábrica, como recebimento de matérias-primas com maior nível de contaminação entre outros fatores, é fundamental a avaliação dos resultados e ajustes necessários na dosagem.
Outro fator que pode influenciar no sucesso do tratamento com ácidos orgânicos é a matriz a ser tratada. Estudos realizados por Koyuncu et al. (2013) demonstraram que matrizes ricas em proteínas e gorduras tem um efeito protetor sobre a célula da Salmonella.
A formulação do produto de eleição também é fundamental para o sucesso do uso desse produto. Formulações adequadas podem garantir um bom controle microbiológico sem levar a danos expressivos nos equipamentos da fábrica.
A ADM oferece soluções eficazes à base de ácidos orgânicos para o controle da Salmonella em rações e ingredientes, combinando tecnologia segura e desempenho comprovado. Nossa equipe técnica especializada está pronta para apoiar sua fábrica na implementação dos melhores protocolos de segurança microbiológica.
Referências
Koyuncu, S.; Andersson, M. G.; Löfstrom, C.; Skandamis, P. N.; Gounadaki, A.; Zentek, J.; Hängblom, P. Organic acids for control of Salmonella in different feed materials. BMC Veterinary Research, n. 9, 2013.
Sonja, A.; Kolar, V.; Adler A.; Strnad, I. Efficiency pf organic acid prepartions for elimination of naturally occurring Salmonella in feed material. Food Additives & Contaminants: Part A. 2017.
Theron. M. M.; Lues, J. F. R. Organic Acids: Promising modern preservatives. Sabinet African Journals. 2005.
Theron. M. M.; Lues, J. F. R. Organic acids and meat preservantion: A review. Food Reviews International. 2007.
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