Camila Santos, de Belém (PA) I camila@dc7comunica.com.br
A relação direta entre a qualidade da água e a sustentabilidade da produção aquícola foi detalhada por Fernando Kubitza durante sua palestra no IFC Amazônia – International Fish Congress & Fish Expo Amazônia, que ocorre até amanhã, 25 de abril, em Belém (PA). Engenheiro agrônomo e mestre em Nutrição Animal pela Esalq/USP, Kubitza destacou como parâmetros como temperatura, oxigenação e presença de compostos como amônia e gás carbônico interferem diretamente na fisiologia dos peixes e, por consequência, no sucesso produtivo da piscicultura.
Segundo o especialista, manter a integridade das brânquias é essencial, uma vez que são responsáveis por processos vitais como respiração, excreção de amônia e osmoregulação. “Parasitas, bactérias, sólidos em suspensão e até tratamentos químicos podem comprometer as brânquias, prejudicando funções básicas dos peixes”, explica. Ele lembra ainda que fatores como temperatura baixa reduzem a digestibilidade e a imunidade, dificultando o crescimento e aumentando a suscetibilidade a doenças, especialmente em regiões com invernos rigorosos.
Kubitza também alerta para os impactos do acúmulo de gás carbônico em sistemas intensivos, como viveiros com muitas algas ou tanques de bioflocos, especialmente durante a madrugada, quando há menor fotossíntese. Nesses cenários, mesmo com oxigênio aparentemente adequado, o excesso de CO₂ pode causar asfixia nos peixes. Outro ponto abordado foi a importância da digestibilidade das rações, já que entre 20% e 30% da matéria seca ingerida é excretada, interferindo na carga orgânica da água e na geração de amônia.

Além disso, a palestra abordou a osmoregulação como um processo que consome até 40% da energia dos peixes, destacando estratégias nutricionais para minimizar esse gasto energético. “Ao suplementar a dieta com minerais como sódio, potássio e magnésio, conseguimos aliviar o estresse osmótico e converter essa energia em ganho de peso”, ressalta. Em especial, peixes amazônicos como o tambaqui mostraram-se mais tolerantes ao pH ácido e ao CO₂ elevado, típicos das águas da região, mas também enfrentam desafios em sistemas de cultivo com pH mais alto e baixa renovação de água.
Para Kubitza, garantir uma boa qualidade de água é mais do que uma questão ambiental — trata-se de um requisito técnico fundamental para reduzir perdas, otimizar o desempenho zootécnico e assegurar a qualidade do pescado. “Tudo isso impacta o custo de produção e a viabilidade dos empreendimentos”, conclui.
A cobertura completa do IFC Amazônia continua com os principais destaques técnicos e de mercado.
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