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Projeto busca transformar couro de tilápia em nova fonte de renda para cadeia aquícola de Morada Nova de Minas

A iniciativa, coordenada pelo Sebrae Minas, pretende estruturar uma cadeia produtiva capaz de agregar valor à pele da tilápia.

Morada Nova de Minas, reconhecida como a capital nacional da tilápia, poderá ampliar o aproveitamento dos subprodutos da piscicultura com um projeto voltado à utilização do couro do peixe na produção de artigos de moda, artesanato e design. A iniciativa, coordenada pelo Sebrae Minas, pretende estruturar uma cadeia produtiva capaz de agregar valor à pele da tilápia, hoje destinada, em grande parte, à fabricação de ração animal.

O projeto busca mobilizar moradores e empreendedores interessados em atuar nas diferentes etapas do processamento do couro, incluindo curtimento, tingimento, corte e costura, com foco na fabricação de bolsas, calçados, cintos, carteiras, peças decorativas e produtos voltados ao turismo e à pesca esportiva.

De acordo com o Sebrae, a estrutura existente em Morada Nova de Minas tem capacidade para processar cerca de 20 mil peles de tilápia por mês.

A proposta também prevê a retomada de uma atividade que marcou a história do município há cerca de duas décadas. Na época, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) implantou um curtume para beneficiamento da pele de tilápia. Embora a operação tenha sido descontinuada, a estrutura e os equipamentos permanecem preservados e poderão ser reativados para atender ao novo projeto.

Segundo o Sebrae Minas, a iniciativa reúne condições favoráveis para impulsionar a economia criativa local, aproveitando a elevada disponibilidade de matéria-prima gerada pela piscicultura. A expectativa é integrar piscicultores, artesãos, empreendedores e instituições parceiras para transformar um resíduo da produção em produtos de maior valor agregado.

Como parte das ações de preparação, representantes da Associação dos Artesãos de Morada Nova de Minas participaram, em julho, da feira Inspira Mais, em São Paulo, considerada um dos principais eventos latino-americanos de design de materiais. O grupo também visitou o ateliê da estilista Flávia Aranha, onde conheceu técnicas de tingimento natural utilizando pigmentos vegetais, alternativa que poderá agregar identidade e sustentabilidade às futuras coleções produzidas no município.

De acordo com o Sebrae, a estrutura existente em Morada Nova de Minas tem capacidade para processar cerca de 20 mil peles de tilápia por mês. Antes do início das operações, será necessário reativar os equipamentos, realizar testes industriais e promover capacitações voltadas ao curtimento, tingimento e confecção dos produtos.

Maior produtor brasileiro da espécie, Morada Nova de Minas produz cerca de 80 toneladas de tilápia por dia, respondendo por mais da metade da produção do estado de Minas Gerais. A atividade, concentrada em tanques-rede na represa de Três Marias, conta com uma cadeia produtiva estruturada, envolvendo genética, produção de alevinos, processamento e comercialização do pescado, cenário que reforça o potencial para ampliar o aproveitamento econômico dos subprodutos da piscicultura.

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