O Hub de Descarbonização da FIESC apresentou os resultados do Programa Piloto de Biogás de Santa Catarina, que avaliou o aproveitamento energético de dejetos suínos em cinquenta propriedades rurais integradas às agroindústrias Aurora Coop, Master e Seara. O estudo confirma a viabilidade técnica, econômica e ambiental do biogás e do biometano como alternativas estratégicas para a transição energética no estado.
Conduzida pelo Instituto SENAI de Tecnologia em parceria com o CIBiogás, a análise reforça que Santa Catarina reúne condições favoráveis para ampliar o uso de biodigestores e mitigar emissões de gases de efeito estufa. Entre os resultados, destacam-se reduções diretas superiores a 20% nas granjas de creche, além de ganhos relevantes em unidades de terminação e UPDs.
Para a FIESC, os números consolidam o biogás como uma das principais ferramentas de descarbonização no campo, especialmente em estados com forte presença da suinocultura. Santa Catarina responde por 8% das exportações mundiais de carne suína e concentra 33% do rebanho nacional, o que reforça a relevância da iniciativa. “Esses números confirmam o papel estratégico do biogás como solução de descarbonização”, afirma Charles Leber, líder do Hub de Descarbonização da entidade.

A expectativa é que o programa fortaleça a adoção de tecnologias renováveis por produtores rurais e melhore a competitividade da cadeia. Segundo o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, granjas catarinenses já utilizam soluções avançadas e encontram no biogás uma oportunidade de tornar os negócios mais sustentáveis. O posicionamento é reforçado pelo Sindicarne e pela ACAV, que apoiam a iniciativa desde o início.
O estudo também analisou diferentes modelos tecnológicos, incluindo aproveitamento térmico, geração elétrica e produção de biometano. Os sistemas individuais demonstram maior viabilidade imediata, enquanto modelos coletivos exigem expansão de escala, redução de custos de infraestrutura e políticas de incentivo para se tornarem competitivos. A pesquisa avaliou parâmetros operacionais, dimensionamento dos biodigestores, simulações de infraestrutura e alternativas logísticas, como biogasodutos e unidades de upgrading.
Os resultados indicam que Santa Catarina reúne densidade produtiva e estrutura territorial favoráveis à expansão da cadeia de biogás, especialmente nas regiões Oeste e Meio-Oeste. A consolidação dos modelos coletivos depende de políticas de fomento, garantias financeiras, incentivos à compra de biometano e estímulos à industrialização regional. Além das agroindústrias participantes, também foram parceiros do piloto o Sindicarne, o BRDE e o Sicoob.
Fonte: FIESC, adaptado pela equipe Feed&Food
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