Os produtores de leite do Rio Grande do Sul iniciaram 2026 enfrentando um cenário de forte pressão econômica, com valores pagos pelo litro abaixo do custo de produção. A situação tem levado parte das propriedades a vender animais ou recorrer a crédito para manter a atividade.
De acordo com a Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), os meses de janeiro e fevereiro foram especialmente desafiadores para o setor. Em muitos casos, a remuneração não foi suficiente para cobrir despesas básicas, comprometendo a sustentabilidade das fazendas.
Além da baixa remuneração, fatores climáticos têm agravado a situação no estado. Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul enfrentou períodos de estiagem seguidos por eventos de excesso de chuva, dificultando a produção de pastagem e silagem, essenciais para a alimentação do rebanho.
Com menor disponibilidade de alimento produzido na própria propriedade, os produtores precisam recorrer à compra de insumos no mercado, elevando os custos e reduzindo ainda mais as margens da atividade leiteira.

Apesar do início de ano negativo, o setor começa a observar sinais de estabilização nos preços. Em fevereiro, a queda nos valores foi menos intensa e, no início de março, já há indicativos de leve recuperação.
A expectativa é de que os preços do leite apresentem melhora gradual entre abril e junho, impulsionados por fatores sazonais. O retorno das aulas e a chegada das temperaturas mais baixas tendem a aumentar o consumo de leite e derivados, favorecendo a recuperação do mercado.
Tradicionalmente, o comportamento do setor é marcado por ciclos, com preços mais baixos no início do ano e recuperação ao longo do outono e inverno. No entanto, esse padrão não se confirmou em 2025, quando a remuneração permaneceu pressionada mesmo nos meses de maior consumo.
Outro ponto de atenção para o setor são as importações de produtos lácteos, principalmente de países do Mercosul, como Argentina e Uruguai. A entrada desses produtos no mercado brasileiro tem contribuído para a pressão sobre os preços internos.
Ainda assim, condições climáticas mais favoráveis nos próximos meses podem ajudar a reduzir custos de produção. Temperaturas mais amenas diminuem o estresse térmico das vacas e favorecem a implantação de pastagens de inverno, o que pode aliviar parte da pressão sobre as margens.
Fonte: Gadolando, adaptado pela equipe Feed&Food
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