Caroline Mendes, de Piracicaba (SP)
A busca por maior produtividade na ovinocultura passa, inevitavelmente, por avanços no melhoramento genético. No SBMA 2025, o especialista em genética animal Dr. Bruno Fernandes Salles Santos, da AbacusBio, destacou que características reprodutivas, como fertilidade e prolificidade, são fundamentais para a rentabilidade do sistema, mas precisam ser trabalhadas com equilíbrio.
Segundo o pesquisador, partos múltiplos – como trigêmeos ou quadrigêmeos – podem parecer vantajosos à primeira vista, mas aumentam de forma significativa a mortalidade de cordeiros, além de comprometer o desenvolvimento dos sobreviventes. “O número ótimo de cordeiros nascidos por parto, para garantir viabilidade econômica e sanidade, fica entre 1,7 e 1,8. Acima disso, as perdas superam os ganhos”, explicou.

Modelos aplicados em países como Nova Zelândia e Reino Unido já utilizam índices econômicos que estabelecem um limite para a pressão de seleção sobre prolificidade. Genes como o GDF9 têm se mostrado promissores para equilibrar produtividade e saúde, evitando efeitos indesejados como infertilidade ou excesso de múltiplos.
Para Santos, além da genética, a adoção de práticas de manejo adequadas e o acesso a reprodutores melhoradores de alto valor genético são determinantes para que os ganhos se concretizem na propriedade. “Não existe milagre: é preciso investir na base, trabalhar com informações confiáveis e manter o foco no objetivo de longo prazo”, ressaltou.
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