O segundo painel do XX Encontro Regional da ABRAVES Paraná reuniu especialistas nesta quarta-feira (11), em Toledo (PR), para discutir produtividade, comportamento e os desafios das novas gerações no ambiente profissional. Com o tema “Cenários atuais e futuros: oportunidades para transformação (parte 2)”, o debate trouxe reflexões sobre hábitos, influência do ambiente e o impacto da tecnologia na atenção e na tomada de decisões.
A primeira palestra do painel foi conduzida por Lucia Barros, da Life is Good Academy, que abordou estratégias para superar a procrastinação e melhorar o desempenho profissional. Segundo ela, a construção de hábitos e rotinas consistentes é essencial para alcançar melhores resultados. “O motivo pelo qual muita gente fracassa não é falta de vontade. Não dá para depender de força de vontade”, afirmou.
Para a especialista, pequenas mudanças consistentes ao longo do tempo podem gerar transformações significativas. “A verdadeira transformação não vem apenas de explosão. Se você assume um compromisso de fazer mudanças diárias, 1% melhor a cada dia significa ao final do ano 38 vezes melhor”, disse.
Barros também destacou que o ambiente e as pessoas com quem convivemos influenciam diretamente o comportamento e as decisões. “Escolha bem as suas companhias, pois elas influenciam diretamente você”, afirmou. Segundo ela, o contexto social tem impacto direto na forma como as pessoas agem. “Se você conviver bastante com outras pessoas, acaba ficando parecida com elas.”
Outro ponto abordado pela palestrante foi o impacto do uso excessivo do celular na produtividade. “É preciso tomar cuidado com o celular. Quando o hábito é ruim, o nome disso é vício, e hoje o que temos são pessoas viciadas no celular”, alertou. Para ela, reduzir distrações digitais é fundamental para melhorar a concentração e o desempenho no trabalho.

Encerrando o painel, o comunicador e escritor Luciano Pires, criador do Café Brasil, apresentou a palestra “Geração T”, na qual discutiu o comportamento das novas gerações diante do excesso de informação e do uso intenso de tecnologia.
Segundo Pires, as gerações atuais vivem em um ambiente de estímulos constantes, o que pode prejudicar a capacidade de concentração. “A gente tem vivido no scroll automático das redes sociais”, afirmou. Para ele, o excesso de informação gera um fenômeno conhecido como “infotoxicação”. “Infotoxicação é uma sobrecarga de informação.”
O palestrante também destacou os impactos do uso excessivo de telas no funcionamento do cérebro. “Brainrot é o cérebro estar apodrecendo”, afirmou. Segundo ele, o termo descreve um estado de confusão mental provocado pelo consumo excessivo de conteúdo digital. “Brainrot é um estado de confusão mental e declínio cognitivo que resulta no uso excessivo de telas.”
Pires também chamou atenção para os desafios enfrentados pelas novas gerações em relação à resiliência e ao propósito. “Os jovens dessa geração cresceram com uma superproteção extrema dos pais, não foram expostos ao fracasso”, disse. Para ele, isso pode gerar dificuldades no enfrentamento de desafios profissionais. “Sem casca grossa você terá problemas.”
Para enfrentar esse cenário, o especialista defende mudanças de comportamento e hábitos mais saudáveis no dia a dia. “Invista na sua vida off-line, recupere o contato com a natureza”, afirmou. Segundo ele, práticas simples podem ajudar a melhorar o desempenho cognitivo. “O cérebro gosta de ordem. Colocar um mínimo de ordem é fundamental.”
Pires também destacou a importância de reduzir o tempo de exposição às telas e fortalecer relações fora do ambiente digital. “Apoio social é fundamental. Sem isso você não tem sanidade mental”, afirmou.
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