A produção de ovos em São Paulo registrou crescimento de 7% em 2025, consolidando o estado como o maior produtor do país. No total, foram produzidas cerca de 16,7 bilhões de unidades no ano passado, com faturamento estimado em R$ 7,2 bilhões, segundo dados preliminares do Valor da Produção Agropecuária (VPA) Paulista, divulgados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).
Com participação de 35% no mercado nacional, São Paulo mantém ampla liderança no setor, à frente de Minas Gerais (10%), Espírito Santo (9%) e Pernambuco (7%). Além do desempenho no mercado interno, o estado também avançou no comércio exterior: as exportações de ovos cresceram 19% em 2025.
Ao todo, São Paulo exportou mais de 15 mil toneladas do produto, gerando receita de US$ 60,2 milhões. O Japão foi o principal destino, com 3,52 mil toneladas, seguido pelos Estados Unidos (3,17 mil t) e México (3,14 mil t).
Apesar dos resultados positivos, o setor enfrenta desafios. Para a presidente da Câmara Setorial de Ovos e Derivados, Cristina Nagano, o equilíbrio de mercado é uma das principais preocupações. “Com um alojamento elevado, a oferta é alta e imprevisível. O aumento das exportações pode ajudar a equilibrar, mas há o risco de excesso de ovos no mercado interno, o que pressiona os preços”, afirma.
Na avaliação do diretor técnico da Granja Kakimoto, em Bastos (SP), Sérgio Kakimoto, o desempenho de 2025 foi impulsionado pela estabilidade do mercado. “Foi um ano muito bom, com preços firmes ao longo de todo o período. Para 2026, a expectativa é ainda melhor, mas o grande desafio é manter as aves saudáveis, o que exige atenção redobrada à biossegurança”, destaca.

A biosseguridade, aliás, é apontada como outro desafio central para a cadeia produtiva. Segundo Cristina Nagano, a Influenza Aviária representa uma ameaça constante. “Os produtores têm investido continuamente em controles rigorosos, protocolos preventivos e monitoramento permanente para garantir que a região continue livre da doença”, ressalta.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da Defesa Agropecuária, mantém o Programa Estadual de Sanidade Avícola (PESA), voltado à preservação da sanidade do plantel paulista. “É fundamental que as granjas comerciais reforcem as medidas de biosseguridade em grau máximo para proteger o plantel avícola do estado”, afirma Paulo Blandino, médico-veterinário e chefe do programa.
Pesquisa, inovação e qualidade
O avanço do setor também é sustentado por pesquisa e inovação. O Laboratório de Qualidade de Aves e Ovos (LAAVIZ), do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), desenvolve estudos nas áreas de nutrição, manejo, bem-estar animal, ambiência e qualidade dos ovos, além de prestar serviços de avaliação para instituições e empresas. Entre as análises realizadas estão parâmetros como peso, cor da gema, resistência e espessura da casca e unidade Haugh.
Para o chefe da Assessoria Técnica do Gabinete da SAA, José Carlos Faria Jr., os resultados refletem uma política pública consistente. “Sanidade, pesquisa, inovação e valorização do produtor formam a base que garante competitividade, segurança ao consumidor e sustentabilidade ao setor”, afirma.
Reconhecimento aos produtores
Como forma de estimular a excelência produtiva, a Secretaria de Agricultura promove o Concurso Estadual de Qualidade de Ovos. A primeira edição ocorreu em 2024, em Bastos, conhecida como a Capital do Ovo, e premiou os melhores produtores do estado nas categorias ovos brancos, vermelhos e de codorna, reforçando o compromisso com a qualidade e a competitividade da produção paulista.
Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo / IEA-APTA, adaptado pela equipe Feed&Food.
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