Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
A agropecuária de Santa Catarina registrou resultados expressivos em 2024, mesmo diante de um cenário desafiador. O Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado atingiu R$ 63,7 bilhões — uma leve retração de 0,5% em relação a 2023, mas que esconde o bom desempenho de setores estratégicos, especialmente a produção animal, responsável por 60,7% desse total (R$ 38,7 bilhões).
Segundo a Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina 2024, elaborada pela Epagri/Cepa, as cadeias da suinocultura, avicultura e leite permaneceram como os pilares da economia rural catarinense, não apenas pela geração de valor, mas também pelo impacto direto na balança comercial e na segurança alimentar.
Suinocultura lidera com quase R$ 14 bilhões
A suinocultura segue como a cadeia mais valiosa do agronegócio catarinense. Em 2024, o VPA da atividade chegou a R$ 13,88 bilhões, puxado por uma produção total de 15,8 milhões de cabeças abatidas e um preço médio de R$ 7,60/kg pago ao produtor. Apesar de enfrentar queda no número de abates em relação a 2023, a valorização dos preços no segundo semestre contribuiu para o bom resultado.
No mercado internacional, Santa Catarina respondeu por 55% das exportações brasileiras de carne suína, embarcando 583 mil toneladas e gerando receita de US$ 1,69 bilhão, aumento de 8% em relação ao ano anterior. China e Hong Kong seguiram como principais destinos.
Avicultura mantém força com R$ 10,5 bilhões
A avicultura, segunda principal atividade em valor, gerou R$ 10,5 bilhões ao longo de 2024. O volume de abates se manteve elevado, com 1,03 bilhão de aves, e o estado permaneceu como maior exportador nacional de carne de frango, respondendo por 28,5% das exportações brasileiras.
Foram exportadas 976 mil toneladas de carne de frango catarinense, com receita de US$ 2,29 bilhões. Mesmo com a redução de 10% na quantidade embarcada, a melhora nos preços internacionais compensou, permitindo estabilidade nos ganhos.
Leite avança 13% e se consolida como terceira força do campo
A produção leiteira catarinense surpreendeu positivamente em 2024, registrando crescimento de 13% no VPA, que chegou a R$ 8,26 bilhões. O volume de leite captado foi de 3,39 bilhões de litros, com alta produtividade média (6.569 litros por vaca ao ano) e valorização do litro pago ao produtor, que fechou o ano em torno de R$ 2,44.
A região Oeste concentrou 74,5% da produção estadual e segue como referência nacional em qualidade e tecnificação.
Já, a bovinocultura de corte cresceu 19,5% em VPA, alcançando R$ 2,88 bilhões, puxada por preços mais firmes. Já a produção de ovos somou R$ 2,37 bilhões (+13%), com 1,02 bilhão de dúzias produzidas, confirmando a diversificação da matriz produtiva animal.

Exportações recordes com protagonismo das carnes
O desempenho da pecuária também alavancou o comércio exterior do agronegócio catarinense. Em 2024, o estado bateu recorde de exportações do setor, atingindo US$ 7,57 bilhões — aumento de 3,3% frente a 2023. Os produtos de origem animal responderam por 54,8% da receita, reforçando o protagonismo da produção catarinense no mercado global.
Além das carnes, também se destacaram as exportações de couro, peles e subprodutos, somando US$ 330 milhões.
Sustentabilidade e inovação como desafios estratégicos
O relatório da Epagri/Cepa chama atenção para os desafios que rondam a cadeia produtiva animal: biosseguridade, mudanças climáticas, sucessão rural, escassez de mão de obra e acesso a mercados são questões prioritárias para manter o setor competitivo.
A valorização dos sistemas integrados, os investimentos em sanidade e rastreabilidade, além da digitalização do campo, são apontados como caminhos para sustentar o desempenho das cadeias de proteína animal nos próximos anos.
“Santa Catarina é exemplo de equilíbrio entre produção de alto desempenho e rigor sanitário. Mas, para seguir liderando, precisará inovar, diversificar mercados e fortalecer políticas de apoio à produção animal sustentável”, destaca a equipe técnica da Epagri/Cepa.
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