Camila Santos, de Belém (PA) I camila@dc7comunica.com.br
Com mais de 15 anos dedicados ao estudo do pirarucu, o pesquisador Lucas Simon Torati, da Embrapa Pesca e Aquicultura, compartilhou os principais avanços científicos relacionados à reprodução da espécie durante o IFC Amazônia – International Fish Congress & Fish Expo Amazônia, realizado em Belém (PA). O objetivo do trabalho é claro: viabilizar o aumento de escala na produção e, assim, diminuir o custo dos alevinos para os produtores.
Lucas explicou que o pirarucu apresenta particularidades fisiológicas que desafiam os métodos tradicionais de reprodução utilizados em outras espécies, como a fertilização artificial. Com um ovário sem cápsula, os ovócitos são liberados na cavidade celomática, o que impede a prática usual de canulação para avaliação do estágio de maturação. Ainda assim, os estudos da Embrapa vêm rompendo essas barreiras com abordagens inovadoras, incluindo o uso de implantes hormonais de liberação lenta e a avaliação de marcadores de coloração para sexagem de casais.
Entre os resultados positivos, o pesquisador destacou a obtenção de respostas hormonais consistentes em machos e fêmeas, além da observação de comportamentos reprodutivos mesmo em ambientes desafiadores como viveiros com baixa visibilidade. A aplicação prática desses dados pode abrir caminho para protocolos mais eficientes de indução hormonal, favorecendo uma produção mais previsível e escalável de alevinos.

Apesar dos obstáculos, a pesquisa avança com perspectivas otimistas. “A gente acredita que esse conhecimento é essencial para desenvolver estratégias de reprodução controlada que tornem a cadeia do pirarucu mais acessível e sustentável”, conclui o pesquisador. A expectativa é que, com novas soluções, seja possível ampliar o acesso à espécie e fortalecer o setor aquícola da região Norte.
A equipe FeedFood está cobrindo o evento, trazendo as principais novidades para os leitores.
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