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Pesquisadores dos EUA desenvolvem vacina experimental contra gripe aviária com resultados promissores em animais

Testes iniciais demonstraram forte eficácia tanto em camundongos quanto em gado.

Um grupo de cientistas da Universidade de Nebraska–Lincoln anunciou o desenvolvimento de uma vacina experimental contra o vírus H5N1, responsável pela gripe aviária altamente patogênica. De acordo com comunicado divulgado pela instituição e repercutido pelo site especializado The Cattle Site, os testes iniciais demonstraram forte eficácia tanto em camundongos quanto em gado.

A gripe aviária tem causado impactos significativos na produção agropecuária mundial. Desde 2022, mais de 166 milhões de aves comerciais foram abatidas nos Estados Unidos devido à doença. Em 2024, o vírus avançou para o gado leiteiro — um evento inédito de transmissão entre espécies — e, posteriormente, infectou cerca de 70 trabalhadores rurais que tiveram contato direto com animais contaminados.

O estudo foi liderado pelo virologista Eric Weaver, diretor do Nebraska Center for Virology, em colaboração com os pesquisadores Joshua Wiggins e Adthakorn Madapong. Os resultados da pesquisa estão em processo de publicação na revista científica NPJ Vaccines. A vacina foi projetada para oferecer proteção contra múltiplas variantes do H5N1, estimulando tanto a resposta imunológica sistêmica quanto a mucosal, no trato respiratório.

A gripe aviária tem causado impactos significativos na produção agropecuária mundial.

Nos testes pré-clínicos, a vacina foi aplicada em camundongos e bezerros leiteiros. Os animais apresentaram respostas imunológicas robustas e proteção completa contra formas graves da doença. Atualmente, não há vacinas licenciadas contra o H5N1 para uso em bovinos, o que torna a descoberta particularmente relevante para o setor.

Segundo Weaver, o projeto retoma pesquisas iniciadas ainda em 2005. “Quando o surto em bovinos começou, esperávamos que fosse passageiro, mas a situação só piorou, o que aumentou nossa preocupação”, afirmou.

Os bezerros utilizados nos testes foram vacinados com uma semana de vida, por meio de aplicação intramuscular e intranasal, seguida de reforço após quatro semanas. Em experimentos paralelos, camundongos imunizados resistiram a infecções letais causadas por diferentes cepas do vírus.

A estratégia de dupla aplicação, explicou o pesquisador, busca impedir tanto a disseminação do vírus no organismo quanto sua transmissão entre animais. “A aplicação intramuscular atua no controle sistêmico, enquanto a intranasal ajuda a bloquear a propagação entre indivíduos”, disse.

Com os resultados iniciais positivos, a equipe agora busca financiamento e parcerias para ampliar os testes e avançar no desenvolvimento de uma vacina multiespécie. A expectativa é que a tecnologia possa ser adaptada também para humanos.

Especialistas apontam que a proteção do gado contra o H5N1 pode reduzir prejuízos econômicos e limitar as chances de o vírus sofrer mutações que facilitem sua transmissão entre pessoas.

Weaver alerta que a adaptação de vírus entre espécies tende a ocorrer com o tempo. “Historicamente, esses patógenos evoluem quando há contato prolongado entre espécies. O influenza A nunca foi um problema em bovinos, mas agora é — e não deve desaparecer tão cedo”, concluiu.

Fonte: The Cattle Site, adaptado pela equipe da Feed & Food.

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