Ariosto Mesquita – de Campo Grande, MS
Todos os dias ele checa o preço da arroba, monitora o estoque de comida do gado, administra conflitos internos, enfrenta quedas de braço com indústrias, confere e ajusta os protocolos sanitários e é bombardeado por pressões externas e exigências ambientais cada vez mais intensas. Qualquer “novidade” pode alterar a pressão arterial e o ritmo cardíaco de um corpo já fragilizados pelo tempo e pelo esforço físico da lida no campo, depois de anos trabalhando debaixo de sol, chuva, frio e calor. Após os 50 anos, conviver com a tensão da atividade de bovinocultura de corte é desafiador para quem pretende conciliar uma longevidade ativa com bem-estar físico e mental, encarando de frente questões como a sucessão rural, compra e venda de animais, novas tecnologias, financiamentos, dívidas e gestão profissional.
Em meio a um turbilhão de compromissos e afazeres, a idade avança e exige cuidados que nem sempre são observados pelo pecuarista. Chega a ser irônico, mas dentro da cadeia produtiva da carne bovina brasileira, as ações e as preocupações com o bem-estar do boi estão claramente muito mais em pauta do que a saúde de quem produz o animal. Diante deste quadro, entender eventual fragilidade física, mental ou mesmo espiritual e sair de uma situação de risco, não são coisas simples.
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